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5 de agosto de 2024

Review Série: Good Omens (Amazon Prime)

Sabe aquela opinião geral sobre a continuação de filme ou série ser uma droga???

Pois bem, eu sempre discordei que toda sequência é ruim, mas Good Omens (traduzido como Belas Maldições no Google) deveria ter parado na história do livro, que só tem 1 volume e ponto final!

A história em si já é bem doida, baseada no Armagedon, o tal do fim do mundo, e para que isso não aconteça, eles precisam agir juntos, um anjo e um diabo, para salvar o planeta Terra que eles tanto amam.

A primeira temporada é divertida, mostra quem são os personagens principais, as coisas que eles gostam da vida mortal na Terra, numa Inglaterra bem tranquila e bonita.

De repente, para a sequência, eles criaram um confusão no céu, porque a alta cúpula não estava se entendendo e um desses anjos foi destituído do cargo e enviado para a Terra, mas agora todo mundo quer ele para resolver uns problemas, arrumando mais confusão... o fim foi a coisa mais nada a ver que se poderia imaginar.

É como se alguém tivesse se dado conta de que o tema da série poderia ofender um grupo de pessoas e decidiu incluir, do nada, 2 casais gays. A questão não é se uns personagens são gays ou não, mas um dos casais não tinha nada a ver com a história toda.

Estão avisados, a 2ª temporada de Good Omens, só tem algo de Good no nome, porque é uma droga.

Pior, já anunciaram que estão filmando a 3ª.

19 de fevereiro de 2024

Livro: Contos fantásticos japoneses: as quatro estações e a natureza, da Labora Livros

Eu curto livros e sou muito ligada na cultura japonesa por ter crescido dentro da comunidade nikkei brasileira de São Paulo.

No ano passado, eu fui convidada a ser a mestre de cerimônia do Bunka Matsuri, organizado pelo Seinen Bunkyo de São Paulo, nas dependências do Bunkyo, ou Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa de São Paulo.

O Bunka Matsuri em questão foi um evento bem diversificado, com praticamente tudo o que você pode imaginar que seja relacionado à cultura: culinária (o Bunkyo tem cozinha para cursos), comidinhas, workshop de muitas artes e atividades japonesas, exposições (o circuito contava com o Museu da Imigração Japonesa que fica nos últimos andares do edifício), venda de produtos de artes, de colecionáveis e de livros de autores nikkeis e produções sobre cultura japonesa*.

Entre esses stands todos estava a Editora Labora Livros, uma editora independente que tem foco em clássicos da cultura asiática e traduções inéditas feitas por pesquisadores de universidades importantes, como a USP, direto do original para o português.

Esse livro, Contos Fantásticos Japoneses, foi concretizado via Catarse, um site de financiamento coletivo para a publicação de obras de autores ou editoras independentes e que tem a participação do interessado via cotas, sendo que cada cota dá direito a um pacote de benefícios.

Eu fiquei tão fã deles que quando vi esse Catarse já me empolguei e peguei a cota que vinha com a coleção completa de Contos Fantásticos (tem o dos japoneses, coreanos e chineses), além de alguns outros brindes fofos.

O livro tem só 196 páginas, então é um livro para ler numa tacada só e a parte legal dos livros da Labora, é que vem com referências para situar o leitor e permitir melhor compreensão do texto, como época, situação do país, entre outros esclarecimentos em nota de rodapé.

Em grande parte, esses contos são lendas japonesas que tentavam trazer lições para a vida das pessoas, ilustrando situações imaginárias paralelas as situações do dia a dia.

Se você gosta de leituras diferentes e curte cultura japonesa, acredito que vai gostar das publicações da Editora Labora Livros.

*Obs1: se curte cultura japonesa e ficou interessada/o no Bunka Matsuri é só acompanhar as redes sociais do Bunkyo ou me segue no Instagram, que eu vou estar por lá de novo.

Obs2: A Labora sempre tem Catarse rolando, então é só acompanhar as redes da Labora que você fica sabendo em primeira mão.

29 de janeiro de 2024

Livro: O pequeno livro de tradições japonesas de Erin Niimi Longhurst

 
Esse livro foi uma das compras feitas na minha 1ª feira do livro da UNESP, realizado em 2023, na unidade próxima a Barra Funda.

Eu comprei mais por causa do formato do livro, que me fisgou pela aparência, num estilo pocket book de luxo. Ele estava lacrado e eu nem pedi para abrir e olhar. Sei lá, eu simplesmente vi o preço atraente (não vou lembrar quanto paguei), o formato e comprei.

Digamos que tem as credenciais de uma publicação da Harper Collins, que sempre capricha nos livros com belas capas, ilustrações, textos e material.

Para minha grata surpresa o livro é a coisa mais linda por dentro.

As imagens que ilustram páginas de passagem e fotos de acervo pessoal da autora, compõem harmonicamente o tema proposto, numa apresentação do Japão e sua cultura, através de textos suscintos, porém bem explicados.

Talvez eu seja suspeita, porque eu não estou lendo do ponto de vista de alguém que não conhece a cultura que considero minha também, apesar de eu ser brasileira (nascida no Brasil é brasileira, apesar dos meus traços), por ter crescido sob os olhares atentos dos meus avós maternos (eles, sim, japoneses vindo durante o primeiro movimento imigrante japonês para o Brasil) e ter praticado boa parte do que ela descreve na obra.

O livro está dividido em partes que simbolizam o conjunto que forma uma pessoa: coração/alma, corpo e hábitos, fazendo referência as questões espirituais, da longevidade e da sociedade, contando sobre simbolismos, artes, religião, cerimoniais e tantas outras particularidades da cultura japonesa.

Citação de provérbios e a explicação do que significa alguns deles, esse livrinho lindo tem até receitas para você fazer em casa e se deliciar com o que há de mais comum na culinária japonesa, como o recém descoberto pelos ocidentais (eu acho), o oniguiri.

Claro que você não vai encontrar aqui um trabalho acadêmico. Ele está mais para um blog impresso bem escrito e ilustrado, que encanta pelo conjunto, e que foi escrito por uma pessoa que se apresenta como blogueira.

Amei!

Obs: dependendo da data em que você está lendo isso, fique atento, porque a UNESP já divulgou as datas da Feira do Livro 2024 em suas redes sociais e site.

7 de agosto de 2023

Livro: A morte é um dia que vale a pena viver, de Ana Claudia Quintana Arantes

Eu não fazia ideia do que tratava o livro, mas considerando a editora (Sextante), já dava para imaginar que fosse algo ligado a autoajuda.

Não deixa de ser, mas o tema é bem diferente do que eu pensei e agora acredito que seja um livro que todos deveriam ler, porque a maioria das pessoas não conversa sobre o assunto e quando tudo acontece, ninguém sabe o que fazer.

O tema principal do livro é a morte, mas não sobre a morte em si, mas da vida que vem até que a morte chegue.

A única certeza que todos temos na vida é que, cedo ou tarde (uns muito cedo, outros bem tarde), todos vamos morrer.

Do que, como, quando, não dá para saber ao certo, ainda que, você ou alguém próximo, esteja acometido por doença grave e incurável. Mas que o fim chegará, isso é certeza absoluta.

Mas... com quem você já conversou sobre o fatídico dia? Já pensou como você gostaria que fosse (ou não fosse) feito o velório? O caixão? A roupa? E o que fazer com o corpo? Enterrar, cremar ou jogar no mar? Você gostaria que seus órgãos sejam doados em caso de morte acidental? Você tem seguro de vida que cubra despesas?

A autora fala sobre essas questões e outras, porque ela é médica responsável por Cuidados Paliativos em doentes terminais.

Ela fala com carinho e muito respeito sobre como lida com o paciente, com as famílias, as questões controversas entre as partes, os desejos dos pacientes e sobre essa necessidade que as pessoas deveriam ter de falar a respeito da morte, ainda que não haja um paciente terminal na família, porque a morte chegará e não deve ser tratada de qualquer jeito ou ignorada, como muita gente prefere fazer.

Você consegue sentir o amor que ela tem pela medicina, o respeito pela vida e pelo momento da morte, o cuidado e preocupação com o paciente e seus familiares. 

A forma como ela aborda a morte é direto, sem romantizar, mas sem fazer da morte um tema banal ou esquisito.

Ela me fez lembrar de um dos médicos com os quais faço acompanhamento por esse desejo de cuidar e da escuta com respeito e atenção, o que anda faltando muito nos médicos, profissionais que, à exceção do legista, sabe que vai ter que lidar com pessoas, mas parece não gostar muito disso.

Também me fez lembrar da importância dessas conversas, porque quando a morte bateu na porta da nossa casa pela primeira vez, foi um baque, mas que não pegou a família inteira tão desprevenida, já que essas questões sempre eram faladas a cada pessoa conhecida que morria.

Não pensar na morte ou fazer de conta que ela não existe não fará com que ela nunca chegue, então, você já pensou em como quer que procedam quando você morrer?

17 de abril de 2023

Livro: Talvez você deva conversar com alguém de Lori Gottlieb


 Desde que eu entrei num grupo de estudos do PPG em Psicologia da UFMA (programa de pós-graduação da Universidade Federal do Maranhão) e comecei a fazer terapia, assuntos sobre psicologia e terapia passaram a me interessar mais.

Já assisti palestras diversas com psicólogos especialistas nas mais diversas áreas, sobre os principais teóricos para além do mais conhecido, Freud, e quando li a sinopse desse livro, decidi ler.

O livro é super gostos de ler e apresenta os bastidores da vida de uma terapeuta americana, chamada Lori Gottlieb, que vai contando o dia a dia do seu trabalho, com a apresentação de alguns casos que ela atendeu em seu consultório, além das suas próprias sessões como paciente.

O "talvez você deva conversar com alguém" que dá nome ao livro, é a frase dada como sugestão por uma colega de profissão, quando ela se vê com problemas que ela saberia resolver se fosse um paciente falando com ela, mas não acontecendo com ela.

Então, ela vai em busca de alguém com quem ela possa contar os seus problemas e as dificuldades para encontrar tal profissional, sendo ela mesma uma, e por isso sabendo exatamente o que não lhe serviria.

Enquanto ela tenta lidar com seus problemas, aparecem pacientes novos com questões complicadas, um dilemas éticos na sala de espera, outra questão com marido e mulher desesperada para ser salva, outra que buscava conforto para lidar com seu prazo final.

O mais interessante é ela discorrendo sobre a necessidade que o terapeuta tem de também fazer terapia, afinal, quem lida com tantas questões sensíveis de tantas pessoas, também precisa de cuidado e atenção para não explodir no final, pois são todos seres humanos, com sentimentos e uma vida que, pode ou não, estar passando por um período complicado e que não pode transparecer isso para seus pacientes.

Eu entendo que quem cuida precisa ser cuidado, pois enquanto fui cuidadora principal dos meus avós (já falecidos, ela aos 74 e ele aos 97) esse cuidado comigo foi negligenciado, mas eu tive a oportunidade de buscar, por mim (e para mim) mesma, ajuda para seguir a vida mesmo depois das mortes.

Um livro que todos devem ler, independente de fazer ou não terapia ou gostar de assuntos relacionados à psicologia. Mostra que todos temos problemas, mas que buscar ajuda sempre será o melhor remédio.

Super recomendado!!! Boa leitura!

6 de março de 2023

Livro: Amigos, Amores e Aquela Coisa Terrível de Matthew Perry

Quem é fã de uma das séries de TV mais bem sucedidas da história da TV, Friends, sabe bem quem é Matthew Perry, também conhecido como Chandler Bing.

O personagem era um cara sensível, bonitão, mas desajeitado com as mulheres, que usava o sarcasmo para contornar situações desconfortáveis e que trabalhava com algo que nenhum dos 5 amigos sabia o que era (vide o famoso episódio em que a Monica e a Rachel perdem o ap da porta lilás para os meninos).

No livro Amigos, Amores e Aquela Coisa Terrível (no original em inglês, Friends, Love and That Terrible Thing, que diga-se de passagem é uma referência a como eram intitulados os episódios da série), Matthew abre seu coração e escreve uma autobiografia tocante para dizer o mínimo. É quase um raio-x da alma de Matthew e os fantasmas da busca pela fana e, depois, da fama em si.

Foi uma surpresa saber, por exemplo, que ele quase não foi o Chandler. Hoje é quase impossível imaginar que outra pessoa poderia ter sido Chandler, incluindo um amigo, que ficou por muito tempo sem falar com ele, claramente pela inveja que causou ver tamanho sucesso da série.

Estranhamente, Matthew tinha muitas das características que pensávamos ser do personagem, mas que eram do ator também.

Matthew nos convida a conhecer a origem: os pais, a infância no Canadá, a sua sensação de não fazer parte de nada, de ser insuficiente, até descobrir as artes cênicas. Da separação dos pais, dos casamentos de seus pais com outras pessoas, constituindo novas famílias, da relação com os meio irmãos, da decisão de se mudar para Los Angeles e da busca pelo estrelato com Hollywood.

Ele também conta de algo muito comum nesse meio: os vícios, começando pelo álcool e cigarro, depois a descoberta das medicações (sabe aquele remédio que o Dr. House usava compulsivamente na ficção? Matthew estava consumindo um monte na vida real) e depois outras drogas.

Uma coisa que me chamou muito a atenção é o fato de um cara bonitão, padrão de beleza desejado em Hollywood (homem branco, olhos claros, atleta universitário) não se sentisse uma pessoa atraente e desejável. Em vários momentos do livro você irá ler a frase "e se eu não for suficiente"?

Acho que vale muito a pena ler se você é fã da série, para conhecer o ser humano por trás das câmeras, algumas curiosidades por trás de alguns convidados do programa.

E se você não é muito fã, mas tem problemas com vícios, inseguranças e/ou depressão, verá que isso é, de fato, mais comum do que se pensa e que saber pedir ajuda e aceitar ajuda quando oferecido vai ser a melhor coisa que você pode fazer por você e por todos aqueles que você ama.

Um livro tocante, emocionante e comovente. Vale a pena ler.

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Que triste saber que mesmo depois de tanta luta, tantas reviravoltas e tantos amigos, numa fase que parecia tão positiva, de retomada do controle da vida, ele ainda acabou indo cedo demais.
Nunca faça pouco caso do problema dos outros. Se não quiser ajudar, tudo bem, só não atrapalhe com  comentários nada motivadores. E, sinceramente, não diga "é falta de força de vontade" ou "é só pra chamar a atenção", porque essas são palavras que podem levar ao ato final uma pessoa que esteja num momento muito frágil.

13 de fevereiro de 2023

Livro: Uma Mensagem de Esperança, de Tom Michell

Pensa numa história que deixa o coração quentinho. É essa!

Eu preciso admitir que esse não é um livro que eu comprei porque queria ou sabia sobre o que era. 

Na real, esse é daqueles livros que a Amazon coloca, ainda que temporariamente, em sua lista de livros gratuitos e eu não posso ver um livro (ebook no caso) de graça que já pego. 

Ele já estava lá, na minha biblioteca do Kindle e eu procurava por algo para ler, que fosse leve para ser leitura de cabeceira em noites de insônia, para as quais os médicos recomendam não ler livros muito interessantes ou tensos.

E "o que aprendi com um pinguim" me pareceu uma leitura apropriada nesse sentido de ser algo suave, sem emoções, só para passar o tempo.

O livro conta a história de Tom, o autor britânico, quando esteve trabalhando como professor de inglês numa escola na Argentina e, numa folga qualquer, passeando perto do mar, onde pinguins e outras aves estavam aparecendo quase mortas após um vazamento de óleo, encontra esse pinguim que o segue e acaba viajando junto com o autor para a escola, onde acaba virando mascote e adorado por todos.

Os cuidados com o pinguim vão ensinar disciplina aos alunos, ao mesmo tempo que permite o jovem professor a criar vínculos com seus alunos e o exótico animal de estimação.

Uma história que mostra como os animais podem mesmo ensinar muita coisa aos humanos.

6 de fevereiro de 2023

Livro: A Biblioteca da Meia-noite, de Matt Haig

Eu estava dando uma olhada nas postagens e cadê que eu encontro um post sobre esse livro? Aliás, entre 2020 e agora, eu li tanta coisa, mas descobri que não postei nada, então vamos escrever sobre livros!

Eu encontrei esse livro ao acaso, naquelas buscas por algo diferente para ler. Eu pensei que fosse uma coisa no estilo do filme "Meia-noite em Paris", mas não tinha nadinha a ver.

O livro começa com uma mulher que está desgostosa com a vida, cheia de ressentimentos e decepções, até que num dado momento, em que ela está entre a vida e a morte, se encontra numa imensa biblioteca.

Nada mais apropriado para quem tinha nos livros sua companhia durante a vida.

Mas essa biblioteca é diferente, porque cada livro é a porta para uma vida que ela gostaria de ter vivido se tivesse escolhido outros caminhos ao longo da sua vida e ela tem a oportunidade de experimentar essas vidas para escolher em qual gostaria de acordar.

Casada, solteira, celebridade, anônima, cientista, entre tantas possibilidades, o que você escolheria?

Se você já se pegou pensando "e se..." vai adorar viajar pelos "e se..." da protagonista dessa história diferente de tudo o que eu já havia lido.

Se você já pensou que talvez a morte seja o melhor caminho para quem parece não dar sorte em nada, que tal ler esse livro e renovar suas esperanças pela vida?

Boa leitura!


26 de dezembro de 2022

Bienal do Livro e Festa do Livro da USP

Primeiro era para ter escrito um post sobre a Festa do Livro da USP antes dela ter começado e, pelo menos, antes dela ter terminado.

Como os 2 momentos foram esquecidos no furor da Festa, eu tinha pensado em escrever um depois da Festa para contar como foi.

Já que faz tempo que a Festa aconteceu, decidi que, antes de terminar 2022, eu precisava ao menos comentar como foi e decidi complementar contando qual os prós e contras de ir em cada uma delas para você se programar para as próximas.

Essa postagem se deve ao fato de eu fazer uns cursos EaD com encontros ao vivo por Zoom, Teams, Meet ou qualquer coisa parecida com isso, além de ter participado de algumas reuniões e, no geral, o faço do meu espaço de estudos, que inclui uma parte dos meus livros, organizados em estantes que aparecem no fundo das videoconferências.

E isso gerou um monte de perguntas e comentários do tipo "você mora numa biblioteca?"

Por um tempo, eu ainda estava com as pilhas de livros no fundo e eu explicava o porquê da bagunça: Bienal do Livro ou Festa do Livro da USP.

A Bienal é um evento literário com diversas atividades, shows, palestras, apresentações, sessões de autógrafos, estandes decorados, muitos espaços para seflies, uma praça de alimentação variada (e cara) e uma estrutura de evento de grande porte.

A maioria das editoras, principalmente aquelas que vendem os best sellers internacionais e nacionais, estão presentes, com estandes temáticos com suas principais obras e a eventual presença dos principais autores publicados por elas. Isso inclui presenças internacionais, com filas gigantescas para sessão de autógrafos que, claro, rendem uma boa venda para essas editoras, já que só com a compra do livro no estande você terá direito a ficar na fila do autógrafo.

O evento vale a pena para quem curte palestras, também. Entre autores conhecidos do grande público e aqueles que são conhecidos somente pela classe acadêmica de cada área de conhecimento, muitos vêm lá apresentar seus trabalhos, suas histórias.

Eu diria que um dos contras são os preços da entrada, o do estacionamento (para quem vai de carro, é claro), a fila para quem não acorda cedo ou não aguenta ficar até mais tarde e o fato da maioria dos livros ser vendido sem qualquer desconto, o que acaba fazendo a compra pela internet ser mais vantajosa.

A grande vantagem é que muitas editoras menores ou autores independentes estão lá e você pode conhecer obras que não estão nas livrarias ou que você não sabem que existe, então não buscaria na internet para comprar.

Por sua vez, a Festa da USP acontece dentro da Cidade Universitária, numa estrutura bem simples, que lembra um barracão montado com lonas, com ventilação feita pelas aberturas em alguns pontos do enorme corredor, que no calor fica um verdadeiro forno e na chuva, pode ter goteiras. Não há estandes propriamente ditos. São mesas com as obras colocadas em cima. Uns mais arrumadinhos, outros, o caos!

Mas esse caos atrai uma multidão de loucos por livros, porque a condição para qualquer editora participar da Festa do Livro da USP é levar as obras com, no mínimo 50% de desconto, o que em alguns casos você não vai encontrar em site algum e muitas vezes sai mais barato do que comprar usado no sebo.

Obras acadêmicas, valem muito a pena! Uma coleção de dicionários de Libras que eu procurava custa R$300 na internet e eu vi usado por uns R$200, sendo que lá saiu por R$150 (um pouco menos, mas estou arredondando, porque não lembro 140 e quanto era o preço exato).

Mas não são só as obras acadêmicas que valem a pena. Em muitos casos, mesmo livros de literatura, como da Companhia das Letras, uma das mais, se não for a mais disputadas das editoras, valem a pena. No caso específico da Companhia, tem todo um esquema especial para a compra. Eles te entregam uma lista com todos os livros disponíveis na Festa (em 2022 eles levaram tudo, mas tem anos que só vai uma parte) e os respectivos preços. Você marca um X em todos os livros que você quer, entrega a lista com seu nome para um atendente, ele vai separar para você e seu nome será chamado no caixa na ordem que os atendentes vão terminando de separar as listas. É uma bagunça razoavelmente organizada.

Só não vale se estressar. Tem que ir com tempo, muita disposição e uma mala de rodinhas! rs

Você não paga para entrar, se for de carro tem bastante lugar para estacionar e não paga para estacionar (não tem nem flanelinha, porque dentro da USP tem seguranças da própria universidade), mas o banheiro é montado (não é químico, ufa!), tem uma pracinha de alimentação quebra-galho e uns vendedores ambulantes de comes, bebes e artesanato na porta.

Aliás, apesar de ter um setor destinado a editoras com publicações infantis, se tem um lugar que não é muito legal levar criança, deve ser na USP, porque não tem atrativos visuais e as crianças ficam entediadas e os adultos acabam não conseguindo comprar direito, porque é uma montoeira de gente em filas, em volta de mesas enormes. Ah, e não tem onde sentar.

Qual é melhor?

Aí depende do seu foco.

Você só quer comprar livros em conta? USP com certeza.
Você quer uma experiência literária para todas as idades? Bienal do Livro sem dúvida.
Você quer tudo? Vai nos dois e seja feliz!!!

22 de agosto de 2022

Livro: O Dicionário das Palavras Perdidas de Pip Williams

Foi o título do livro que me fez dar uma olhadinha pro lado e conferir o que estava escrito na sinopse do livro e fiquei, para dizer o mínimo, curiosa.

Vou começar falando da autora. A Pip é nascida em Londres e vive na Austrália, o que explica as referências usadas na história, comparando o fim do século XIX e o começo do século XX em temas políticos e sociais entre os dois países, o que torna esse romance uma aula de História, além de tudo.

A história é incrível.

Para ser bem sincera, começa meio morna, mas eu recomendo que você siga a leitura. Eu comecei como leitura de cama, aquela para pegar no sono. O começo até funcionou, mas depois, eu queria tanto saber o que vinha depois, que no final eu acabei acordada até altas horas para concluir o livro.

Aliás, na versão em português (agora eu preciso ler em inglês) a tradutora colocar observações importantes, já que havia a necessidade de se respeitar a ordem alfabética da publicação do dicionário e traduzir com palavras que significassem a mesma coisa, com a mesma proximidade de letras não foi tarefa fácil, mas magistralmente realizada. Todo meu respeito à tradutora que teve todo esse cuidado para que a história não perdesse sua essência e coerência.

Lá, depois que a história termina também tem o histórico sobre a autora e o que a levou a escrever essa história. Vale a pena ler todas as páginas, inclusive das referências utilizadas pela autora, que fez uma pesquisa de verdade para saber a história da criação do dicionário de Oxford, dos fatos concomitantes da época e juntar a isso um romance emocionante.

Agora que eu comentei tudo isso, acho que vale falar do que se trata o conto. rs

Esse é um romance baseado na história real da criação do primeiro (sim, primeiro) dicionário de Oxford, aquela instituição famosa e super conceituada da Inglaterra.

Conta sobre os personagens reais que compuseram a equipe original da elaboração do dicionário e junto a isso a autora cria uma personagem, a pequena Esme, que vai crescendo naquele ambiente de palavras, num momento em que as mulheres eram educadas, normalmente, para serem donas de casa e mães.

Tirando a Esme, que a autora diz ao final se tratar de uma personagem ficcional, as demais mulheres citadas de fato existiram e fizeram parte da equipe do dicionário, formal ou informalmente. Claro que sem qualquer protagonismo e sem que seus nomes constassem do dicionário em si, mas estão nos documentos e imagens disponíveis em Oxford sobre a história do dicionário real.

A história começa em 1880, conta como são as pessoas, a divisão da sociedade, apresenta mulheres de diferentes classes sociais, diversos temas que envolvem o papel dos homens e das mulheres.

Fala sobre as lutas feministas, incluindo a liberdade sexual, sufrágio universal (que na época não nem se discutia o universal da maneira como pensamos hoje), o direito a educação formal e reconhecimento profissional, constituição de família, a opção pela não maternidade e não casamento, independência, além das questões sobre a primeira Guerra Mundial, que ceifou a vida de milhares de jovens, jovens demais.

Esse livro vale a leitura por muitas razões para muitos públicos e todas as faixas etárias.

Se você gosta de romance, drama, História e palavras, vai curtir a viagem que nos leva Pip.

Boa leitura! 

11 de outubro de 2021

Livro: Um relacionamento sem erros de português, de Cintia Chagas

A sinopse indica que se trata de um livro que ensina português através de uma história, ou seja, leitura leve e rápida, do jeito que eu gosto de ler antes de dormir.

O livro é pequeno, tem só 144 páginas na versão física e bem engraçado e autobiográfico.

Ela, que já tem outra obra publicada sobre português, porque ela é professora (ou era?) de português em curso preparatório para vestibular, conta as aventuras em que se meteu quando encontrou seu par perfeito.

Mineira, ela queria mesmo morar em São Paulo, capital, e encontrou um homem de currículo impecável, com os atributos desejados, indicado por uma amiga em comum, paulistano... mas que estava morando uma praia de Santa Catarina.

Entre muitas loucuras, conforme escreve as passagens dessas viagens doidas que ela fez, vai comentando ortografia, regras gramaticais e uso correto do nosso português.

Amiga do Padre Fabio de Mello, ela menciona que ele recomendou cautela para publicar o primeiro livro, porque expunha muito da intimidade dela, mas ela não se importou com isso, conseguiu publicar um segundo livro, encontrar seu príncipe encantado e morar onde desejava.

Um louco conto de fadas da vida real moderna com boas dicas de português.


8 de março de 2021

Livro: Dúvida Cruel - 80 respostas para as perguntas mais cabeludas

Tem dias que você quer ler algo leve e divertido, e dá de cara com um livro que foi feito para o público infanto-juvenil, mas que traz informações que gente grande também tem curiosidade.

A descrição do livro Dúvida Cruel é nesse espírito "não importa se você tem 9 ou 90 anos", se for uma pessoa curiosa, vai curtir.

Os autores do livro, Mari e Iberê, têm um canal no Youtube chamado Manual do Mundo, onde tiram dúvidas sobre curiosidades científicas de forma simples e divertida, assim como no livro.

Esse livro dá um ótimo presente para crianças que gostam de saber como são as coisas e tem imagens bem legais para quem se assusta com livros só de textos.

Eu recomendaria para crianças por volta dos 9 anos que estão no final do fundamental 1, começo do fundamental 2.

25 de maio de 2020

Livro: Pós-F - para além do masculino e feminino, de Fernanda Young

A autora Fernanda Young teve uma passagem breve por esse mundo, deixando esse plano aos 49 anos após uma parada cardíaca em função de um forte crise de asma.

Mas deixou sua marca nas artes e na literatura.

Com ideias muito bem posicionadas, em Pós-F: para além do masculino e feminino, ela explora temas que ainda causam polêmicas de uma forma aberta, clara, direta e sem firulas.

Aborda a questão de machismo, do feminismo, das suas descobertas sexuais, entre tantos temas que tornam esse livro, além de um bom ponto de partida para reflexões acerca do mundo em que vivemos, trata do ser humano, do ser que ela foi.

Algumas passagens são auto biográficas, outras são reflexões da sociedade.

Além de ser um livro (o objeto) muito bonito, é de leitura rápida, mas extremamente interessante, instigante.

Confesso que nunca tinha lido nada escrito por ela, só conhecia o trabalhado dela como atriz e roteirista (ela é a responsável pela série e filme, Os Normais), mas adorei essa leitura fora da caixinha.

Se você estiver vendo esse post em 2020 (no meio da crise da pandemia da COVID-19), aproveite para ver as promoções da editora Leya no site Casa dos Mundos (não, eu não ganho nada com isso). Eu mesma comprei um combo da Fernanda Young com direito a ecobag.

18 de maio de 2020

Livro: Dúvida Cruel: 80 respostas para as perguntas mais cabeludas, de Iberê Thenório e Mariana Fulfaro

Durante a pandemia* diversas editoras fizeram distribuição de ebooks gratuitos de obras diversas, incluindo alguns best sellers.

Claro que eu não perdi a oportunidade de baixar tudo o que eu pude nesse momento, afinal, livro, ainda que digital, nunca é demais.

Entre os diversos livros baixados estava esse (eu adoro ler sobre curiosidades diversas), o Dúvida Cruel, que é indicado para o público juvenil, mas e daí? rs

Ele traz textos em tom informal, porque são textos coletados de dúvidas que os autores tiraram em seu canal do Youtube.

Tem um pouco de tudo e é divertido de ler.

Esse é o tipo de livro que eu gosto de ler entre uma leitura jurídica e outra para espairecer (foi um ano tenso, uma vez que eu sou do Direito do Trabalho, com um pé no Tributário e outro no Empresarial).

Se você tem filhos que precisam pegar o gosto pela leitura, acredito que esse seja um bom livro para despertar o gosto, uma vez que ele traz curiosidades e foi escrito por um casal de youtubers.

* Se você estiver lendo isso num futuro distante pode não se lembrar, mas em 2020 vivemos um pesadelo chamado corona vírus, cientificamente denominada COVID-19 e que trancou todo mundo em casa pelo medo da contaminação. Se você estiver lendo isso no momento da pandemia, vai achar esse comentário meio doido.

2 de março de 2020

Livro: Paris para um, de Jojo Moyes

Paris sempre é um bom chamariz para o título de um livro, ainda mais quando se volta a estudar francês (eu ainda estou no básico de onde eu parei rs).

A autora é conhecida de todos por causa da série que começa com "Como eu era antes de você", que virou um filme que faz chorar feito criancinha.

Aliás, nem tive coragem de ler o livro depois de assistir o filme numa tarde qualquer, na TV. O que eu chorei...

Eu nem sabia bem se queria ler algo dela, porque tinha receio de que fosse tudo no mesmo tom, mas esse livro nem é uma história inteira. São contos. Sim, românticos, mas são contos, o que torna a leitura de cabeceira mais fácil, porque você consegue terminar o conto todo antes de dormir.

Tem um tom de tragédia no conto principal, mas o desenrolar é bem interessante (não posso escrever muito, senão acabo dando spoiler).

Se você quer passar do trauma de "Como eu era..." esse pode ser um começo.

30 de setembro de 2019

Livro: O Conto da Aia (The Handmaid's Tale), de Margaret Atwood

Eu não sou muito de correr para ler livros que aparecem na ilha de destaque das livrarias ou que do nada viram populares, mas essa é uma daquelas obras que minha amiga leitora profissional havia me indicado, e como sempre que ela indica uma obra, acerta em cheio no meu gosto, fui atrás.

Ok, teve ajuda de promoção de livros na internet, mas desde a última Bienal com feira de livros da USP em 2018, eu parei de comprar livros em qualquer outro lugar, com algumas exceções.

Enfim, O Conto da Aia está em voga desde que virou série de TV premiado, mas o que fez da história um recente fenômeno é o tema que envolve ditadura, falta de liberdade, definições de papéis, classes sociais desenhadas pelo governo, mortes aos que tentam contrariar o sistema, num momento em que o mundo teme essas questões e busca manter as liberdades conquistadas, contra outros grupos que bem que gostariam que o mundo do Conto de Aia fosse real.

Aia são as mulheres serviçais, que se vestem todas iguais, muito cobertas, afinal, mulher aqui é tipo carne, lembrando alguns países muçulmanos no trato com a mulher.

Tem mais, elas usam esse chapéu branco de abas longas que cobrem o rosto e só permitem que elas olhem para frente, como o cabresto do cavalo, para controlar o que elas podem ver e impedir que conversem com os outros sem que isso seja notado.

Elas nunca podem caminhar sozinhas e tem donos, com os quais, não necessariamente precisam praticar sexo, mas para os quais devem lealdade. Não chegam a ser escravas, mas é quase isso, já que não podem fazer nada porque querem. Elas não podem desejar nada, só seguir ordens de acordo com as funções para as quais foram adquiridas.

O dia a dia das Aias é controlado por seguranças que estão por todos os lados. Elas têm roteiros diários e itinerários pré-definidos. Passam sempre pelos mesmos lugares, fazem compras sempre nos mesmos lugares, compram sempre as mesmas coisas.

Mas todo regime excessivamente autoritário e restritivo está sujeito a oposições. É difícil, mas as pessoas sempre dão um jeito. É duro saber em quem confiar, com quem se pode falar, porque um passo em falso e qualquer um pode parar no muro dos assassinados.

Como sair dessa situação?

O Conto da Aia nos leva por essas dúvidas, por essa vontade de gritar, de fugir de um sistema horrível, assustador, temerário, e mostra como é viver sempre na dúvida, sempre com medo, ainda que seu único pecado seja pensar.

Leitura obrigatória nos dias atuais, nos lembra como é bom poder pensar, poder ler, poder estudar, poder fazer o que quer, quando quer.

Leia e sinta-se livre.

23 de setembro de 2019

Livro: Shinsetsu 親切 - O Poder da Gentileza, de Clóvis de Barros

O lançamento dessa obra aconteceu na Bienal do Livro de São Paulo, em 2018. Eu só sei disso porque acabei, por acidente, assistindo a apresentação do próprio autor sobre o livro.

Como professora, eu tenho acesso gratuito à feira e fui tantos dias quanto pude, sendo assim não tinha pressa nos dias que ia e aproveitava para assistir diversos workshops e palestras nos espaços de educação montados pela Microsoft, que esteve apresentando suas soluções para educação durante a Bienal.

Eis que eu estava assistindo uma palestra de educação e quando terminou, um casal que estava ao meu lado comentou que estavam lá só para garantir lugar para assistir à apresentação do Clóvis de Barros.

Eu até sabia quem era o senhor, mas não sabia sobre o que ele trataria e uma vez que eu já estava no espaço, num bom lugar, decidi ficar para ouvi-lo quando vi que o tema tinha nome em japonês.

Da minha parte sempre surge a curiosidade de saber o que leva uma pessoa não descendente a escrever sobre algo de uma cultura estrangeira.

De repente entrou um senhor, que se eu encontrasse pelos corredores nem saberia quem é, porque, digamos, ele parece gente normal, vestida de gente comum! rs

Digo isso, porque se fosse o Cortella ou o Karnal, tenho certeza que teria ido de terno, talvez gravata. Ele não. Estava de calça de sarja, blusa de fleece (de marca, mas fleece) e acho que calçava tênis.

Foi muito simpático com a sua audiência e uma coisa eu achei engraçado, olhou várias vezes durante sua fala para mim, como se para confirmar algumas coisas que são culturais, intrínsecos da educação japonesa.

Não, eu não sou japonesa de nacionalidade. Eu sou brasileira, apesar da cara. Sou da terceira geração, neta de imigrantes vindos de navio na década de 20, mas fui criada pelos avós maternos, dentro das associações de japoneses de São Paulo, bem aos moldes da cultura de lá.

Sim, o livro trata com muito respeito e reverência a questão do shinsetsu.

Para mim foi curioso ler o livro, porque eu tenho o que ele disse como algo óbvio. Ele mesmo diz que para os japoneses isso é normal, mas o brasileiro, ou melhor, o ocidental não conhece essa gentileza.

Calma, não estou dizendo que o ocidental não conhece gentileza. Eu disse, essa gentileza, a do shinsetsu.

Claro, estou generalizando toda uma cultura, tanto a de lá, quanto a de cá, e é isso que o autor fala ao longo do livro, citando outras características culturais de outros lugares para comparar, para fazer entender o conceito.

Recomendo a leitura, leve, simples e cheia de reflexões para quem quer ser uma pessoa melhor.

3 de junho de 2019

Livro: Minha História de Michelle Obama

Encantadora é um bom adjetivo para descrever essa história autobiográfica da ex-primeira dama dos Estados Unidos, Michelle Obama.

Ela abre sua intimidade, sua trajetória, sua vida, numa simplicidade, como se ela fosse uma pessoa comum, o que, definitivamente, ela não é. Ela é especial, muito especial.

Ela conta a infância pobre no subúrbio americano, em bairro tipicamente negro, sempre consciente de que a educação podia mudar sua vida, sua história.

Filha de mãe dona de casa e pai assalariado, que apesar de não terem muita educação formal, não mediram esforços para que seus 2 filhos tivessem as melhores oportunidades dentro de suas possibilidades (e impossibilidades).

Saída dos guetos, conseguiu provar para muita gente que a desencorajou ao longo da vida, que mesmo tendo origem humilde, quando se quer, se pode ir longe.

Muito dedicada, conseguiu entrar numa universidade da conhecida Ivy League, cobiçada por todos os estudantes do mundo, a Harvard. Cursando Direito, vivendo com pouco dinheiro, teve a "sorte" de estar rodeada de pessoas boas e que serviram de modelo para moldá-la como profissional e ser humano.

Já destacada dentro de um bom escritório de advocacia, recebe a incumbência de ser mentora de um novo candidato, o jovem charmoso e inteligente, Barack. Mas nem pense que Michelle caiu nos encantos do belo havaiano de cara. Muito focada, ela só pensava na carreira.

Com o passar dos anos veio o noivado, o casamento, a frustração de um aborto espontâneo, a nova responsabilidade como mãe, esposa de um político e, de repente, a função como primeira dama.

Ela nos abre as portas da Casa Branca, das amizades, da rotina, das janelas blindadas e seguranças a seguindo o tempo todo, a tentativa de proporcionar uma vida "normal" a duas crianças, e as impossibilidades de fazer muitas coisas que gostaria, até o retorno à vida comum, ilustrado por uma xícara de chá, vestindo roupas confortáveis, no jardim sem seguranças, numa manhã qualquer.

Leitura deliciosa, que vai fazer qualquer um ficar apaixonado por essa mulher incrível!

4 de março de 2019

Livro: A sutil arte de ligar o foda-se de Mark Manson

O título, desde o lançamento, chama a atenção de qualquer um, além de ser um livro de capa laranja que esteve em destaque em diversas vitrines e ilhas de livrarias.

O primeiro mérito desse livro é a parte do trabalho de marketing: colocar um título tão direto em tempos que a maioria das pessoas está no espírito foda-se, é sensacional.

O segundo é que o autor escreve de forma despretensiosa sobre os temas ao longo do livro, como numa conversa informal, o que torna a leitura acessível, simples e muito prazerosa para qualquer pessoa.

Divertido, o texto traz casos reais onde pessoas reais ligaram o foda-se em suas vidas para viver ou sobreviver a uma situação de vida. E em algumas passagens mostra como uma mesma situação pode ser vivida com e sem o foda-se ligado, e quais os impactos disso na vida de cada uma das pessoas citadas.

A moral do livro é que você deve ligar o foda-se para sobreviver a essa vida louca que levamos, ligando menos para o que os outros pensam e mais para o que nos faz sentir melhor.

Vale muito a pena a leitura, nem que seja só para conhecer os casos de gente real, famosa, que se saíram bem ou não, usando ou não o foda-se em suas vidas. Garanto que mesmo em tom debochado, ele vai te fazer pensar e, se você não concordar, vai ao menos se divertir com a leitura.

25 de fevereiro de 2019

Livro: 44 cartas do mundo líquido moderno de Zygmunt Bauman

Eu sempre quis conhecer o conceito de mundo líquido do filósofo moderno Zygmunt Bauman, falecido em janeiro de 2017, e no final do ano passado, quando eu fui na Feira de Livros da USP, onde todos os livros à venda tem no mínimo 50% de desconto sobre o preço de capa, eu peguei tudo o que vi pela frente com o nome do autor (quase tudo).

Dentro do trem, na volta para casa, eu escolhi o 44 Cartas do Mundo Líquido Moderno para ler, porque esse livro tem uma variedade de temas sobre o mundo líquido e não só um direcionado, como são os demais livros.

Trata-se de uma coletânea de cartas publicadas numa revista semanal feminina, chamada "La Repubblica delle Donne", e que traz temas diversos sobre fatos do mundo cotidiano, com direito a explicação do porquê do número 44 e não um outro número qualquer.

Uma leitura fluida, como se é de esperar quando o tema é o mundo líquido, aborda temas que nos são familiar, que podemos constatar ao nosso redor, mas que muitas vezes não prestamos a devida atenção por causa dos contos de marinheiros e de camponeses (ele fala a respeito logo no capítulo introdutório).

Não sei se essa seria a leitura de entrada para o mundo de Bauman, mas não é difícil entender os conceitos apresentados de forma tão clara e direta, como numa carta. E é o tipo perfeito de leitura para dentro do transporte público, porque são textos mais curtos.

Bauman, com certeza, ganhou meu coração.