15 de março de 2021

Filme: Contágio (Contagion)

De tanto falarem, eu acabei assistindo somente agora o tal do filme lançado em 2011, mas que assistido agora, no meio da pandemia mundial do Corona Vírus, também conhecido como COVID-19, até parece um documentário.

Eu vou contar o filme, porque nem dá para falar em spoiler. Nossa vida atual é o spoiler desse filme (na data em que escrevo essa postagem, o Corona já nos afeta há mais de 1 ano e se você estiver lendo essa postagem muito tempo depois que o escrevi, espero que esse pesadelo já tenha acabado).

O filme começa com uma mulher de negócios (Gwyneth Paltrow), que está na China, marcando um encontro com seu amante no retorno aos Estados Unidos. Ela não está se sentindo 100% bem, mas acha que é só um mal estar passageiro em função de jet lag, muito comum em quem viaja à outra metade do globo.

Eles se encontram e ela não está melhorando, mas acha que pode ter pego uma "gripezinha"*.

Enquanto isso, alguns casos de morte súbita aparecem em diferentes pontos do mundo: alguns na própria China, um no Japão, nossa personagem inicial e seu filho nos Estados Unidos.

Assim como na vida real, nem todos pegam e isso é mostrado com o marido/pai (Matt Damon) dos 2 primeiros casos em território americano. Apesar de ter socorrido os 2 e ficado bem próximo deles, ele não contrai a doença e se descobre que de alguma forma ele tem anticorpos para o vírus.

Logo aparece o equivalente à nossa Vigilância Sanitária que entre Secretarias e Ministério da Saúde começam a divergir quanto o que e como deve ser informado à sociedade o novo vírus descoberto. Eles chegam a mencionar o H1N1, que quase foi anunciado como pandemia, gerou pânico, corrida às farmácias em busca de álcool e outros desinfetantes, mas foi rapidamente controlado e não chegou a precisar de medidas radicais para a contensão, ainda que seja uma preocupação até hoje.

No filme também existem hospitais de campanha para isolar o atendimento dos pacientes dessa doença e evitar a proliferação dentro dos hospitais, mas aqui, quem pega não sobrevive. Eles mostram inclusive valas de enterro coletivo com corpos que serão, em outro momento cremados, para evitar que haja contaminação por decomposição dos corpos.

Até o papel das fake news está retratado no filme com o personagem de Jude Law, o cara que usa sua influência digital para disseminar mentiras, fingindo, inclusive, que esteve doente e se curou com um remédio não indicado.

Em paralelo, uma corrida pelas vacinas e, no caso, a descoberta por cientistas americanos (na vida real eles não foram os primeiros) que burlam protocolos de testes para antecipar os resultados e que, claro, por ser ficção, apesar da semelhança com a nossa realidade, tem um final satisfatório.

O filme não chega a ser nem triste, porque a gente tem visto coisas parecidas (senão piores) na nossa vida atual, na nossa realidade. Fica com cara de mera constatação e talvez de alerta para a importância das medidas sanitárias.

No final, eles mostram como teria surgido o primeiro caso, mostrando exatamente como pode ter ocorrido na vida real a infecção e a transmissão mundial.

Observações sobre a vida real

As pessoas podem não lembrar mais, mas a diferença com o começo do H1N1 para agora, é que ela foi mesmo rapidamente controlada por medidas reforçadas na higiene (as mesmas recomendações de manter mãos limpas, não tocar mucosas com as mãos, evitar ambientes fechados e aglomerados) e boa ventilação.

Outra coisa que as pessoas não lembram é que a vacina veio rápido, mas como não ficamos dependente dela para retomar nossas atividades, muita gente ignora esse fato. A vacinação também não precisou ser geral, então no Brasil, somente os mais idosos e grávidas são vacinados de forma gratuita. Os demais devem buscar a vacina por conta própria, pagando em clínicas particulares de forma anual.

Mais uma questão relacionada ao H1N1 que se assemelha à COVID é que a primeira também sofre mutações constantes e no momento já tem outra numeração, que acompanha a mutação sofrida. 

* o filme não diz se o amante ficou doente ou se as demais pessoas com as quais ela teria tido contato no caminho contraíram a doença, ainda que seja possível imaginar que sim.