11 de outubro de 2021

Livro: Um relacionamento sem erros de português, de Cintia Chagas

A sinopse indica que se trata de um livro que ensina português através de uma história, ou seja, leitura leve e rápida, do jeito que eu gosto de ler antes de dormir.

O livro é pequeno, tem só 144 páginas na versão física e bem engraçado e autobiográfico.

Ela, que já tem outra obra publicada sobre português, porque ela é professora (ou era?) de português em curso preparatório para vestibular, conta as aventuras em que se meteu quando encontrou seu par perfeito.

Mineira, ela queria mesmo morar em São Paulo, capital, e encontrou um homem de currículo impecável, com os atributos desejados, indicado por uma amiga em comum, paulistano... mas que estava morando uma praia de Santa Catarina.

Entre muitas loucuras, conforme escreve as passagens dessas viagens doidas que ela fez, vai comentando ortografia, regras gramaticais e uso correto do nosso português.

Amiga do Padre Fabio de Mello, ela menciona que ele recomendou cautela para publicar o primeiro livro, porque expunha muito da intimidade dela, mas ela não se importou com isso, conseguiu publicar um segundo livro, encontrar seu príncipe encantado e morar onde desejava.

Um louco conto de fadas da vida real moderna com boas dicas de português.


30 de agosto de 2021

Filme: A Grande Mentira (The Good Liar)

Eu costumo pegar as imagens dos cartazes no site Adorocinema e aproveito para dar uma lida na avaliação crítica dos especialistas do site e alguns comentários de usuários, mas só quando vou escrever meus posts sobre os filmes que eu assisti.

Eu adoro a Helen Mirren pela grande atriz e mulher que ela é, então o nome dela no cartaz já é um enorme chamariz para mim.

Já fazia tempo que eu queria assistir esse filme, mas fui adiando e num dia que eu decidi que podia me dar uma folguinha, escolhi ele.

Fiquei chocada com a nota 2 de 5 da pessoa que fez a crítica. Ela fala que o roteiro é ruim, que a direção é ruim e que a única coisa que salva são os dois protagonistas por suas atuações.

Sim, as atuações são ótimas como é de se esperar de Gandalf... ops, Sir McKellen e de Helen, mas para mim o filme foi muito bem amarrado e contado.

A história começa com os 2 preenchendo um formulário num site para encontros de pessoas maduras, onde cada um seleciona as características que espera no outro e você vê os 2 marcando a opção "viúvo". Mas de cara você já vê algumas dicas sobre as mentiras que rondam esses sites: as pessoas dizem que são uma coisa quando são outra.

Coisas sutis como a pessoa marca que busca alguém que não fuma, enquanto essa pessoa está com um cigarro aceso, a outra marca que busca alguém que não bebe, enquanto ela está virando uma taça de vinho.

Então nosso lindo casal se encontra. Ela, uma senhora, recém-viúva, elegante, inteligente, ex-professora de História. Ele, um senhor elegante, fala distinta, mas não sabemos o que ele é nesse primeiro momento, até que o encontro termina e ele nos mostra quem ele é, um velhinho safado, trambiqueiro, golpista, mas de alto nível.

Claro que eu não estou aqui para dar spoiler, mas a trama vai apresentando as diversas faces das maracutaias que esse gentleman pratica como estilo de vida junto a seu comparsa.

Nossa lady tem um neto muito desconfiado desse senhor que aparece repentinamente na vida da avó, aposentada e que tem uma boa grana guardada, ou seja, a presa perfeita para o elegante charlatão. De marcação no simpático velhinho, ele tenta desmarcará-lo a todo custo.

O desenrolar da história é muito interessante e vai mostrando pouco a pouco quem é de fato esse casal improvável até o final revelador.

A despeito de alguns comentários no site mencionado, eu realmente curti o filme e recomendo, nem que seja para ver a atuação desses 2 ícones do cinema. Não é mentira!


23 de agosto de 2021

Relatos de uma jacaré: a vacinação na cidade de São Paulo

Vou começar esse post com um alerta: se você é da turma negacionista ou antivacina, por favor, feche seu navegador agora e evite se aborrecer com o texto abaixo. Você não é obrigado/a a ler um texto que vai contra tudo o que você acredita. Agradeço a visita e até um post de assunto que não lhe seja contrário.

Agora, se você quer saber como foi a vacinação das 2 doses de alguém do grupo de comorbidades, eu te conto abaixo.

Uma coisa que eu acho necessário exaltar, ainda que eu não goste de várias ações dele, é que se não fosse o governador do estado de São Paulo, João Doria, a vacinação do nosso país não teria começado. Muita gente nem quer tomar a vacina do Butantã, mas se o Doria não tivesse dado o início das ações com o Instituto para pressionar os outros a se moverem e providenciar vacinação, a gente estaria esperando até agora. Nesse sentido, obrigada governador, por respeitar o nosso direito à vida.

Demorou, mas chegou a tão esperada hora. As agulhadas mais aguardadas da vida de (quase, infelizmente) todo mundo!

Pela faixa etária, minha 1ª dose seria somente no final de junho de 2021, mas por ter problemas de pressão (passou dos 40 começa a dar pau em várias coisas rs), eu consegui antecipar a minha 1ª dose em 1 mês!

Foi simples, porque no meu caso bastava levar um receituário com a medicação diária para comprovar a condição. Claro, tive que passar no médico, porque receita velha não seria aceita.

Antes da vacinação, eu fiz meu cadastro no site do VacinaJá, porque já dava para imaginar que com base nisso, eles poderiam saber quantas pessoas tem em cada faixa etária e onde as pessoas estão para distribuir melhor as doses de vacina entre os postos de vacinação.

A ESCOLHA DO POSTO

Receita em mãos, no dia da minha 1ª dose, por ser o dia de abertura da faixa de vacinação, tinha locais extras para ser vacinada. Como eu trabalho no centro da cidade, eu escolhi o Mega Posto da Galeria Prestes Maia, que eu considero um ponto turístico da cidade de São Paulo. É uma passagem que liga a Praça do Patriarca (onde tem uma UBS também) e o Vale do Anhangabaú. Na passagem, toda de granito, tem esculturas e um enorme relógio.

No posto em questão estava tudo bem organizado, mas preciso contar que vi muita gente indo embora só porque a vacina do local não era aquela americana. A grande maioria ficava, mas tinha um ou outro que perguntava qual era a vacina, a equipe respondia e o povo ia embora.

A Galeria é bem ventilada e espaçosa, então todo mundo conseguia ficar bem espalhado, o que deu uma sensação de segurança. Além disso, tinha bastante pessoal de apoio para organizar a fila, o que mantinha a ordem e a agilidade. Sinceramente, eu fui preparada para aguardar até 2 horas para tomar a vacina e não gastei mais que 30 minutos entre entrar na fila, preencher o cadastro e tomar a vacina.

Pouco tempo depois, a prefeitura de São Paulo criou um site chamado "De Olho na Fila", o filômetro do VacinaSampa. O site é bem simples e muito útil, porque ele mostra como anda a fila num determinado local e se o posto em questão está funcionando ou não, já que em alguns momentos, tivemos problemas de abastecimento em alguns locais. Então a pessoa chegava e não tinha vacina.

Outro problema era o pessoal que buscava a 2ª dose e não encontrava. Muita gente relatava uma verdadeira via crucis para encontrar determinada vacina. Para resolver esse problema também, o site passou a informar onde tem ou não cada vacina para a 2ª dose. O alerta para os "sommeliers de vacina" é que a informação das vacinas disponíveis para a 2ª dose não eram necessariamente a vacina disponível para a 1ª dose, já que as da 2ª dose são reservadas.

Então, para a 2ª dose eu usei as informações desse site.

Como minha data era uma sexta-feira, eu passei a semana inteira monitorando os locais. A Galeria Prestes Maia passou a semana inteira impossível! O aviso de fila grande já me dava a dica de que eu iria para outro lugar. Sem contar que no começo da semana a vacina que eu tomei na 1ª dose esteve indisponível. Para minha sorte, na quarta, ela apareceu em todos os lugares que eu estava monitorando a fila.

Chegou a sexta, abri o site e a atualização dizia que o posto montado dentro do Extra Aeroporto estava sem fila e tinha a vacina que eu precisava. Fui lá.

Fica a dica: escolha locais marcados como sem fila. Não é brincadeira, é sem fila mesmo!!!

Eu demorei mais para andar de onde parei minha moto até o local onde o posto estava montado do que para tomar a vacina. Não tinha NINGUÉM tomando vacina. Foi muito rápido. Até aproveitei para fazer umas compras no supermercado antes de ir embora.

A VACINA E AS REAÇÕES

E qual vacina você tomou? Eu recebi a Astrazeneca envasada pela Fiocruz, no Rio de Janeiro, mas eu tomaria qualquer uma que me oferecessem.

Eu já estava ciente de que haveriam reações, porque eu conhecia pessoas que já tinham tomado e relataram reações diversas, por isso fiquei feliz que a data inicial da minha faixa etária seria numa sexta-feira, assim eu teria o fim de semana inteiro para ficar de cama se necessário. Tinha providenciado tudo: comida, remédios e muita água.

A reação mais prolongada foi a dor no braço. Foram 10 dias de dores de ter que lavar o braço fazendo carinho para não doer. Fora isso, uma moleza e dorzinha de cabeça na noite da vacinação, corpo cansado durante o dia seguinte e uma febrinha de 37° e uns quebrados na noite de seguinte e... só! No domingo eu já estava ok e mesmo mole, eu lavei roupas no sábado. Eu só tomei 1 analgésico na sexta e outro no sábado, além de anti-histamínico, porque eu tive um pouco de reação alérgica, mas nada muito sério.

Para a 2ª dose eu já estava preparada para encarar as mesmas reações, mas foi bem mais leve e esquisito. Se na 1ª dose as primeiras reações só apareceram umas 10 horas após o horário da aplicação, na 2ª dose as reações começaram 2 horas depois.

Uma dorzinha leve no braço e um sooooooonooooo inexeplicável. Fazia muito tempo que eu não ia tão cedo pra cama, mas eu não aguentava ficar com os olhos abertos. No dia seguinte eu estava meio aérea, mas nada demais. De novo, lavei roupas e ainda trabalhei o dia todo num projeto de pesquisa.

Se seu medo são as reações, para com isso!!!

Eu sou uma pessoa mega alérgica e meio sensível a medicação. Nunca tive reação a qualquer vacina, mas nessa até deu. Só que já eram esperadas e foi tranquilo. Melhor do que correr o risco de ficar entubada. A dorzinha no braço passa e você não vai morrer disso.

Só não esqueça que mesmo vacinados, nós precisamos seguir usando máscara, mantendo distanciamento social e higienizando as mãos.

Se cuidem!!!

APP DA CARTEIRA DE VACINAÇÃO

O SUS - Sistema Único de Saúde, tem um app chamado ConecteSUS, que usa o cadastro feito no gov.br para disponibilizar dados cadastrado no SUS.

Esse app tem o intuito de reunir todas as informações de saúde do SUS no futuro, mas nesse primeiro momento ele serve para você ter os dados da sua vacina da COVID à mão. Ele mostra a data das doses tomadas, os dados de posto, código do aplicador, tipo e lote das vacinas.

E se você precisa apresentar o certificado de vacinação para viajar, você consegue emitir o certificado com QRcode direto do app. Bem legal.

O app é gratuito, mas preste atenção na hora de baixar. Quem faz esse app é o gov.br, sistema eletrônico do governo para acesso a informações junto à Receita e Previdência.

No estado de São Paulo existe a opção do app do Poupatempo e na cidade de São Paulo você pode baixar o app e-Saude SP, que também tem a carteirinha de vacinação, nesse caso, de todas as vacinas tomadas na rede pública (as que eu tomei em 2018 apareceram no app).


Imagens: Secretaria da Saúde de Salvador/BA e Terra.com.br

15 de março de 2021

Filme: Contágio (Contagion)

De tanto falarem, eu acabei assistindo somente agora o tal do filme lançado em 2011, mas que assistido agora, no meio da pandemia mundial do Corona Vírus, também conhecido como COVID-19, até parece um documentário.

Eu vou contar o filme, porque nem dá para falar em spoiler. Nossa vida atual é o spoiler desse filme (na data em que escrevo essa postagem, o Corona já nos afeta há mais de 1 ano e se você estiver lendo essa postagem muito tempo depois que o escrevi, espero que esse pesadelo já tenha acabado).

O filme começa com uma mulher de negócios (Gwyneth Paltrow), que está na China, marcando um encontro com seu amante no retorno aos Estados Unidos. Ela não está se sentindo 100% bem, mas acha que é só um mal estar passageiro em função de jet lag, muito comum em quem viaja à outra metade do globo.

Eles se encontram e ela não está melhorando, mas acha que pode ter pego uma "gripezinha"*.

Enquanto isso, alguns casos de morte súbita aparecem em diferentes pontos do mundo: alguns na própria China, um no Japão, nossa personagem inicial e seu filho nos Estados Unidos.

Assim como na vida real, nem todos pegam e isso é mostrado com o marido/pai (Matt Damon) dos 2 primeiros casos em território americano. Apesar de ter socorrido os 2 e ficado bem próximo deles, ele não contrai a doença e se descobre que de alguma forma ele tem anticorpos para o vírus.

Logo aparece o equivalente à nossa Vigilância Sanitária que entre Secretarias e Ministério da Saúde começam a divergir quanto o que e como deve ser informado à sociedade o novo vírus descoberto. Eles chegam a mencionar o H1N1, que quase foi anunciado como pandemia, gerou pânico, corrida às farmácias em busca de álcool e outros desinfetantes, mas foi rapidamente controlado e não chegou a precisar de medidas radicais para a contensão, ainda que seja uma preocupação até hoje.

No filme também existem hospitais de campanha para isolar o atendimento dos pacientes dessa doença e evitar a proliferação dentro dos hospitais, mas aqui, quem pega não sobrevive. Eles mostram inclusive valas de enterro coletivo com corpos que serão, em outro momento cremados, para evitar que haja contaminação por decomposição dos corpos.

Até o papel das fake news está retratado no filme com o personagem de Jude Law, o cara que usa sua influência digital para disseminar mentiras, fingindo, inclusive, que esteve doente e se curou com um remédio não indicado.

Em paralelo, uma corrida pelas vacinas e, no caso, a descoberta por cientistas americanos (na vida real eles não foram os primeiros) que burlam protocolos de testes para antecipar os resultados e que, claro, por ser ficção, apesar da semelhança com a nossa realidade, tem um final satisfatório.

O filme não chega a ser nem triste, porque a gente tem visto coisas parecidas (senão piores) na nossa vida atual, na nossa realidade. Fica com cara de mera constatação e talvez de alerta para a importância das medidas sanitárias.

No final, eles mostram como teria surgido o primeiro caso, mostrando exatamente como pode ter ocorrido na vida real a infecção e a transmissão mundial.

Observações sobre a vida real

As pessoas podem não lembrar mais, mas a diferença com o começo do H1N1 para agora, é que ela foi mesmo rapidamente controlada por medidas reforçadas na higiene (as mesmas recomendações de manter mãos limpas, não tocar mucosas com as mãos, evitar ambientes fechados e aglomerados) e boa ventilação.

Outra coisa que as pessoas não lembram é que a vacina veio rápido, mas como não ficamos dependente dela para retomar nossas atividades, muita gente ignora esse fato. A vacinação também não precisou ser geral, então no Brasil, somente os mais idosos e grávidas são vacinados de forma gratuita. Os demais devem buscar a vacina por conta própria, pagando em clínicas particulares de forma anual.

Mais uma questão relacionada ao H1N1 que se assemelha à COVID é que a primeira também sofre mutações constantes e no momento já tem outra numeração, que acompanha a mutação sofrida. 

* o filme não diz se o amante ficou doente ou se as demais pessoas com as quais ela teria tido contato no caminho contraíram a doença, ainda que seja possível imaginar que sim.