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26 de dezembro de 2022

Bienal do Livro e Festa do Livro da USP

Primeiro era para ter escrito um post sobre a Festa do Livro da USP antes dela ter começado e, pelo menos, antes dela ter terminado.

Como os 2 momentos foram esquecidos no furor da Festa, eu tinha pensado em escrever um depois da Festa para contar como foi.

Já que faz tempo que a Festa aconteceu, decidi que, antes de terminar 2022, eu precisava ao menos comentar como foi e decidi complementar contando qual os prós e contras de ir em cada uma delas para você se programar para as próximas.

Essa postagem se deve ao fato de eu fazer uns cursos EaD com encontros ao vivo por Zoom, Teams, Meet ou qualquer coisa parecida com isso, além de ter participado de algumas reuniões e, no geral, o faço do meu espaço de estudos, que inclui uma parte dos meus livros, organizados em estantes que aparecem no fundo das videoconferências.

E isso gerou um monte de perguntas e comentários do tipo "você mora numa biblioteca?"

Por um tempo, eu ainda estava com as pilhas de livros no fundo e eu explicava o porquê da bagunça: Bienal do Livro ou Festa do Livro da USP.

A Bienal é um evento literário com diversas atividades, shows, palestras, apresentações, sessões de autógrafos, estandes decorados, muitos espaços para seflies, uma praça de alimentação variada (e cara) e uma estrutura de evento de grande porte.

A maioria das editoras, principalmente aquelas que vendem os best sellers internacionais e nacionais, estão presentes, com estandes temáticos com suas principais obras e a eventual presença dos principais autores publicados por elas. Isso inclui presenças internacionais, com filas gigantescas para sessão de autógrafos que, claro, rendem uma boa venda para essas editoras, já que só com a compra do livro no estande você terá direito a ficar na fila do autógrafo.

O evento vale a pena para quem curte palestras, também. Entre autores conhecidos do grande público e aqueles que são conhecidos somente pela classe acadêmica de cada área de conhecimento, muitos vêm lá apresentar seus trabalhos, suas histórias.

Eu diria que um dos contras são os preços da entrada, o do estacionamento (para quem vai de carro, é claro), a fila para quem não acorda cedo ou não aguenta ficar até mais tarde e o fato da maioria dos livros ser vendido sem qualquer desconto, o que acaba fazendo a compra pela internet ser mais vantajosa.

A grande vantagem é que muitas editoras menores ou autores independentes estão lá e você pode conhecer obras que não estão nas livrarias ou que você não sabem que existe, então não buscaria na internet para comprar.

Por sua vez, a Festa da USP acontece dentro da Cidade Universitária, numa estrutura bem simples, que lembra um barracão montado com lonas, com ventilação feita pelas aberturas em alguns pontos do enorme corredor, que no calor fica um verdadeiro forno e na chuva, pode ter goteiras. Não há estandes propriamente ditos. São mesas com as obras colocadas em cima. Uns mais arrumadinhos, outros, o caos!

Mas esse caos atrai uma multidão de loucos por livros, porque a condição para qualquer editora participar da Festa do Livro da USP é levar as obras com, no mínimo 50% de desconto, o que em alguns casos você não vai encontrar em site algum e muitas vezes sai mais barato do que comprar usado no sebo.

Obras acadêmicas, valem muito a pena! Uma coleção de dicionários de Libras que eu procurava custa R$300 na internet e eu vi usado por uns R$200, sendo que lá saiu por R$150 (um pouco menos, mas estou arredondando, porque não lembro 140 e quanto era o preço exato).

Mas não são só as obras acadêmicas que valem a pena. Em muitos casos, mesmo livros de literatura, como da Companhia das Letras, uma das mais, se não for a mais disputadas das editoras, valem a pena. No caso específico da Companhia, tem todo um esquema especial para a compra. Eles te entregam uma lista com todos os livros disponíveis na Festa (em 2022 eles levaram tudo, mas tem anos que só vai uma parte) e os respectivos preços. Você marca um X em todos os livros que você quer, entrega a lista com seu nome para um atendente, ele vai separar para você e seu nome será chamado no caixa na ordem que os atendentes vão terminando de separar as listas. É uma bagunça razoavelmente organizada.

Só não vale se estressar. Tem que ir com tempo, muita disposição e uma mala de rodinhas! rs

Você não paga para entrar, se for de carro tem bastante lugar para estacionar e não paga para estacionar (não tem nem flanelinha, porque dentro da USP tem seguranças da própria universidade), mas o banheiro é montado (não é químico, ufa!), tem uma pracinha de alimentação quebra-galho e uns vendedores ambulantes de comes, bebes e artesanato na porta.

Aliás, apesar de ter um setor destinado a editoras com publicações infantis, se tem um lugar que não é muito legal levar criança, deve ser na USP, porque não tem atrativos visuais e as crianças ficam entediadas e os adultos acabam não conseguindo comprar direito, porque é uma montoeira de gente em filas, em volta de mesas enormes. Ah, e não tem onde sentar.

Qual é melhor?

Aí depende do seu foco.

Você só quer comprar livros em conta? USP com certeza.
Você quer uma experiência literária para todas as idades? Bienal do Livro sem dúvida.
Você quer tudo? Vai nos dois e seja feliz!!!

11 de julho de 2022

Bienal Internacional do Livro de São Paulo - Edição 2022

Depois de 4 anos aguardando, enfim, a Bienal do Livro de São Paulo voltou a acontecer!!!

Um misto de ansiedade, receios e alegrias afloravam conforme a data se aproximava e chegou o dia de ir ao novo local, que havia sido anunciado ao final da última edição, em 2018, para ver como seria estar num lugar que eu chamo de "a Disney dos amantes de livros".

O Expo Center Norte, fica, como sugere o nome, na zona norte da cidade de São Paulo, na ponta oposta de onde eu resido (eu moro nos fundos da zona sul), mas tem o acesso facilitado por ampla opções de transporte e não difere a estação de metrô onde sempre acessamos o ônibus que faz o traslado gratuito entre estação e local da Bienal.

Para quem não conhece a cidade, o Anhembi, onde era feito até então, fica equidistante da estação do metrô Tietê, porém para o lado contrário de onde está o Expo Center Norte (se tiver muita curiosidade, coloque no Google Maps o metrô Tietê e veja que a esquerda do mapa estará o Anhembi e a direita, o Expo).

A Bienal no Expo Center Norte ficou com uma configuração esquisita e muita gente (eu principalmente) ficava perdido e girando o mapa para tentar identificar onde estava e onde queria ir. Eu só fui entender o que causava a confusão no meu 2° dia de visita (eu tenho acesso gratuito por ser professora), pela primeira vez, a praça de alimentação estava bem no meio da Bienal, e não no fundo como de costume.

Além disso, só havia a sinalização de teto com as letras dos corredores na entrada, o que não ajudava depois que você já estava no meio do "labirinto".

Não sei se essa impressão foi geral, mas a Bienal diminuiu de tamanho e várias editoras grandes e habituais não estiveram presentes. As que eu senti mais falta foram a Martin Claret, que publica obras clássicas com ótimas traduções, em versões pocket, simples e luxo, além da editora da Folha, que sempre trazia as suas coleções com preços promocionais entre outras tantas publicações ótimas.

Uma coisa bacana que fizeram são os pontos de informação, espalhados em vários cantos da Bienal, o que ajudava os perdidos a se encontrarem ou descobrirem que uma editora não estava lá.

O uso das máscaras era opcional, mas muita gente estava usando a máscara e haviam lugares com totens de álcool gel para higienização.

Eu fui somente durante a semana e ainda assim estava bem cheio, muito por ser época de férias escolares, mas quem foi no primeiro fim de semana disse que estava impossível de cheio, já que os ingressos são vendidos pela internet e na porta. No fim de semana de encerramento havia um aviso nas redes sociais e no site da Bienal dizendo que não haveria mais venda de ingressos por canal algum por estarem esgotados.

Foi a primeira vez que isso aconteceu e deve ser por causa da muvuca da semana anterior, para não se tornar ponto de disseminação maciça de Covid. rs

Com a muvuca, com o risco de Covid no ar, calor e editoras faltantes, quem gosta desse ambiente não pode reclamar.

A Bienal estava bonita e lotada, o que prova, mais uma vez que o livro de papel não vai acabar, não vai morrer e não está obsoleto.

Era de deixar o coração quentinho ver a quantidade de crianças e jovens atrás de livros, com sacolas cheias, pais incentivando a leitura e gente encarando filas quilométricas nos caixas para levar as obras desejadas, algumas com ótimos descontos, outras porque depois não acha.

Com muito livro ou pouco livro, usando máscara e álcool gel (eu não sei nem quando vou deixar de usar esse combo na rua), confesso que foi muito bom estar de volta à Bienal do Livro.

Até 2024!!!