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27 de maio de 2019

Crônicas de uma motociclista zero quilometro - capítulo 11: a primeira vez fora do Parque do Ibirapuera

ALERTA!!! Post gigantescamente enorme de grande!!!

Faz pouco mais de 3 meses que eu peguei a minha scooter, batizada de Scarlet (eu nunca coloquei nome em carro, mas fiquei com vontade de colocar nome na motinho).

De lá para cá altas emoções, mas com bem menos medo do que eu imaginava!

Quando eu comprei, numa loja não tão próxima de casa, sendo que existe uma loja da mesma rede a 550 metros (segundo o Google Maps), porque é a única que fica aberta aos sábados até às 18 horas, minha preocupação era "como eu vou pegar a moto e levar para casa?".

Eu até descobri um serviço de transporte de motos, mas numa consulta de véspera eu descobri que eles cobravam R$230,00 para fazer um trajeto de 3km, porque eles cobram pela região e não por distância. Num momento em que eu estava pesquisando quanto custava todo o restante do aparato para andar de moto, isso era um valor muito alto para tão pouco benefício.

Então só restou uma saída: já que as poucas pessoas que eu conheço que sabem andar de moto moram do outro lado da cidade, eu tinha que sair da loja na moto! (quer inventar moda, se vira!)

Meu receio era ter outro ataque de pânico (eu já tive antes, lá no Parque do Ibirapuera). Como eu iria conseguir pilotar a dita numa avenida de verdade (Avenida Atlântica para ser mais específica)?

Me concentrei na atividade.

Estudei o caminho mais tranquilo (simulei como se fosse andar de bike, para o Google Maps me dar alternativas mais tranquilas), pensei em todas as variáveis, torci por um dia sem chuva e o sábado chegou.

Peguei meu capacete aberto (comprei também para me precaver de um dos efeitos que o fechado dá numa crise de pânico, que é a claustrofobia), o par de luvas (ainda sem jaqueta, mas de manga comprida) e fui na cara e na coragem. A parte boa, eu estava tranquila. Um friozinho na barriga e só.

Quando eu cheguei, o vendedor já estava com ela prontinha, brilhando.

Me entregou os documentos, ativou o seguro, explicou como funcionava a moto, colocou ela na calçada e ficou esperando eu sair com um pedido para que eu enviasse uma mensagem para confirmar que eu cheguei em casa viva. rs

Sai da loja, meio cambaleando, mas logo encontrei o ponto de equilíbrio. Como o próprio vendedor disse, aquele horário era o melhor por ser o mais tranquilo de todos. Poucos carros na avenida e lá vamos nós, sempre lembrando de uma dica dada por um motociclista mais experiente: "vai de boa e pelo meio da faixa". Foi o que eu fiz, de boa (demais até: eu estava a, no máximo, 40 km/h).

Uma coisa que me surpreendeu positivamente foi a paciência dos motoristas pelos quais eu passei (ou que passaram por mim).

Numa das ruas, que é mão dupla, mas só tem 1 faixa para ir e 1 para voltar porque há carros estacionados dos 2 lados, os motoristas ficaram pacientemente aguardando eu conseguir encostar nos trechos que não havia carro estacionado, para que eles passassem. E ninguém passou xingando, buzinando, fazendo ou falando gracinhas, ou acelerando loucamente. Todos passaram calmamente, como quem quer dar um apoio moral e emocional para a iniciante nas 2 rodas.

No caminho, me dei conta de que precisava abastecer o tanque e dei uma volta para um posto que ficava num ponto fácil de entrar e sair, considerando o trajeto que eu estava fazendo.

Ao chegar no posto, mesmo tendo acabado de receber as instruções de como abria o banco para acessar o tanque, quem disse que eu conseguia abrir?

O frentista ficou intrigado "mas o vendedor não explicou como abre o banco?" ao que eu eu respondi que acabara de explicar, mas eu estava fazendo, claramente, algo de errado.

Após algumas tentativas, descobri como abrir o banco. O primeiro tanque a gente capricha e abastece com gasolina aditivada (todos os outros, também)!

Enquanto abastecia, o frentista que percebeu minha falta de intimidade com a scooter perguntou desde quando eu andava de moto e eu disse que aquela era a primeira vez que eu andava de moto além das aulas que tive para tirar a habilitação.

Ele ficou surpreso, me deu os parabéns e disse que eu tinha muita coragem para sair de cara andando pela avenida, ainda que não tivesse trânsito.

Feliz, me sentindo encorajada pelos outros motoristas e por essa simples fala do frentista, segui rumo a minha casa.

Meio atrapalhada, entrei na garagem sem derrubar o portão ou a parede. Vitória!

Vitória por vários fatores: por não ter tido um ataque de pânico, por ter tido coragem de encarar as ruas de São Paulo, por ter tido paciência comigo mesma e por ter, finalmente, comprado a minha scooter.

Naquele mesmo dia, depois de enviar uma mensagem para o vendedor, eu decidi dar umas voltinhas pelos quarteirões perto de casa para testar como parar a moto, como fazer saídas, como fazer subidinhas, como travar o guidão, como frear, como ajustar o espelho, enfim, como usar a moto. Até testei o gancho para sacolas, depois de subir até o mercado e comprar uma caixa (gigante) de Sucrilhos que não cabia embaixo do banco (eu ainda não tinha o bauleto).

Uma semana depois, eu precisava ao menos ligar o motor e fui dar umas voltas no quarteirão de novo, coisa rápida, uns 5 km e voltei para casa.

Na semana seguinte estava determinada a ir para a faculdade de moto. Claro que no sábado, quando tem menos gente na facu e nas ruas no caminho entre minha casa e o campus.

Acordei torcendo para que não estivesse chovendo e para que fosse um dia sem chuva. São Pedro esteve de acordo durante todo o período em que eu estive fora de casa com a moto. Peguei capacete, jaqueta, luvas, minhas coisas e lá fui eu.

Ao chegar, primeiro desafio: estacionar a moto.

Eu só não derrubei nada nem ninguém, porque não passava nenhum carro no momento e porque eu tive o cuidado de parar longe de qualquer outro carro ou moto que estava estacionado na rua. A moto só não ficou mais torta por impossibilidade, mas eu não estava muito disposta a tentar arrumar, porque poderia ficar pior! Coloquei a trava de roda, travei o guidão, levantei o cavalete central e fui para a facu.

Na saída, um quase desastre: eu quase atravessei o canteiro central direto, isso porque o farol estava fechado, todo mundo estava parado e não tinha nada me impedindo de sair tranquilamente da vaga. Dei uma paradinha e segui em frente. Mais à frente, onde eu tinha que fazer uma conversão, quase machuquei meu pé, porque estava tentando parar a moto, acelerada, colocando o pé no chão como eu faço com a bicicleta.

Nota: NUNCA TENTAR PARAR UMA MOTO EM MOVIMENTO COM OS PÉS!!!

Guiando mais devagar do que nunca, cheguei em casa naquele dia. Que perigo!

Repassei comigo tudo o que eu tinha feito de errado e o que eu precisava fazer para corrigir esses erros antes que eu me machuque ou machuque alguém.

No dia seguinte, dúvida cruel: testar ou não mais um caminho?

E lá fui eu, dessa vez, para um shopping. Próximo de casa também, mas exigia que eu passasse por um par de avenidas, entre elas, a Avenida Interlagos.

Com calma, fui e consegui chegar no estacionamento, ainda que eu tenha errado a entrada (descobri que o acesso para motos, em qualquer estacionamento de shopping é diferente do acesso dos carros).

Aqui uma experiência negativa: os motoristas de carro parecem compreender que quando alguém de moto fica no meio da faixa é porque está começando, então eles não passam rasgando do lado, não buzinam, não pressionam.

De repente, estava eu na faixa do ônibus (era domingo e não vinha nenhum ônibus atrás), bem no meio e um desses motoqueiros babacas de moto grandona e potente veio de algum lugar distante, buzinando feito doido e passou rasgado entre mim e um outro motociclista que ia de boa no entre faixas, me dando um susto, o que poderia ter me levado ao chão.

Por que se os motoristas de carros conseguem simpatizar com uma pobre coitada iniciando no mundo das 2 rodas, um outro, que também está em 2 rodas, não pode ser mais compreensivo e demonstrar um pouquinho de compaixão e empatia?

Eu esperava levar buzinadas e fechadas de carros impacientes com minha lerdeza, mas de outras motos?

Depois disso, eu descobri que não é tão ruim andar no corredor Norte-Sul aos fins de semana, que eu consigo andar usando o GPS em outros trechos desconhecidos, que eu não posso entrar de lado em lugares onde tenham frestas na via, porque a roda enrosca e eu posso cair (eu quase caí), e que aos poucos eu consigo passar de 40 km/h nas vias.

Já sai de Interlagos para o Morumbi, para a Liberdade, para Santa Cecília, para a Barra Funda e para o Anhembi e até andei na Marginal Pinheiros.

Já fiz 1 curso teórico de pilotagem segura (obrigada Porto Seguro Moto), 1 curso de pilotagem prática (de novo, obrigada Porto Seguro Moto... aliás, acho que só por esses 2 cursos, valeu ter pego o seguro com a Porto) e 1 curso de pilotagem de scooter (esse eu paguei)*.

Não sou nenhuma expert no assunto, mas sigo aprendendo, pegando dicas, prestando atenção no que eu posso melhorar.

Se você tiver alguma dica ou alguma dúvida que eu possa ajudar (nem sei bem o que eu posso ajudar, mas podemos trocar experiências caso você seja mais iniciante do que eu e meus 3 meses), escreve nos comentários. =)

*Vou fazer propaganda de graça: para quem está em São Paulo/Santo André, eu indico o curso de pilotagem do Carlos Amaral Instrutor (ele tem Fb, blog, insta). O valor é bem acessível, diferente de alguns cursos que eu encontrei pela internet, e o Amaral é um cara super experiente e paciente com seus alunos, não importa se você está começando ou já tem anos de pilotagem. Se anda de scooter, de big trail, speed ou custom, não importa, eu tenho certeza que você não vai se arrepender. No primeiro curso prático que eu fui, tinha gente bem experiente que gostou de fazer a aula, porque aprendeu técnicas novas. O legal é que a esposa dele, a Georgia Zuliani, faz fotos bem bacanas durante o curso e você pode guardar de lembrança. Super recomendo!

20 de maio de 2019

Crônicas de uma motociclista zero quilometro - capítulo 10: o bauleto

Eu ia parar a série das crônicas na minha experiência de guiar pelas ruas, mas eu ainda queria mais um item: o bauleto.

Quanta dificuldade para escolher um simples acessório.

Tudo bem que tem vários fatores para a indecisão: desconhecimento de marcas, modelos, tamanhos, medidas, especificações, instalação, entre tantos pequenos e grandes detalhes, que estavam me deixando doida.

Nem sei quantos sites eu visitei, quantos textos, avaliações eu li ou quantos vídeos eu assisti antes de decidir que ia numa loja física comprar o dito.

Primeiro eu estava decidida, compraria o bauleto de outra marca, que não a mais vendida. Já tinha visto uns anúncios no Mercado Livre, tinha assistido até vídeos de instalação, quando de repente comecei a dar de cara com registros de reclamações no Reclame Aqui e uns vídeos sobre o tal bauleto caindo (voando) no meio do caminho. E o modelo é bem bacana, porque é o único com capacidade para 41 litros, mas que é mais alto do que largo (talvez seja esse o problema do projeto?) e tem várias cores (todas as cores!).

Com receio de jogar dinheiro fora, comecei a pesquisar um pouco mais e comecei a reparar nas ruas, as motos alheias. De cada 10 bauletos, 9 devem ser da Givi. Isso não pode ser só coincidência ou modinha, até porque seria uma modinha cara. Nas concessionárias, dificilmente você encontra outras marcas e a grande maioria das lojas têm a tal da Givi, inclusive um aluno, que vivia (e continua) me dando dicas de como começar no mundo das 2 rodas me mostrou o bauleto dele numa foto: Givi!

Decidi me render à marca.

Agora faltava decidir o tamanho, já que o modelo, até onde eu consegui pesquisar, teria que ser uma monolock, que só tem capacidade para 3 kg. Existe um tal de monokey, que comporta 10 kg, mas é bem mais difícil de encontrar e mais cara também. Depois de muito pensar o que eu ia de fato carregar no bauleto, cheguei a conclusão de que o de 3 kg já resolve.

Foi nesse momento que eu decidi desistir da ideia de comprar pela internet e ia comprar numa loja física, porque além de eu poder ver e testar se caberia minhas coisas dentro, eles instalam na hora como cortesia.

Era o final de semana antes do carnaval, ou seja, a cidade no caos e a loja que eu ia fica na região do Largo do Arouche (eu comentei em outro post das Crônicas), centro de São Paulo onde, adivinha, as ruas estavam interditadas para os blocos de rua (obrigada Google pela informação).

E agora? Eu queria muito aproveitar aquele fim de semana, porque as vias estariam mais tranquilas para eu me arriscar com a moto. Pesquisa daqui, pesquisa de lá e eu encontrei uma loja em Diadema que funcionava até às 17h no sábado e estaria aberto naquele sábado, mas... ir até Diadema?! Socorro!!!

Liguei para a loja para confirmar que eles tinham os 2 modelos que eu tinha dúvida. Confirmado, a loja tinha. Hora de engolir o medinho e sair de casa.

Ao chegar na loja informei o vendedor que queria saber se minhas coisas caberiam no bauleto e ele trouxe os 2 modelos, um 30 litros e outro 33 litros para eu testar. Olhei, achei o 33 meio grande, mas esses 3 litros fazem uma diferença enorme na capacidade. A diferença de preço é proporcional ao tamanho, então eu acabei preferindo comprar o de 33. Não me arrependo e sei que estaria arrependida de comprar o de 30.

O bauleto da foto fica bem bonitinho instalado e cabe meu capacete fechado e minha jaqueta de proteção, com folga. Numa ocasião, fui no mercado e para não pegar sacola, peguei uma caixa de papelão que coube no bauleto.

Uma coisa que eu acho inútil é a tal "lente", que é essa parte que parece olho de gato, mas não reflete nada. Seria bem legal se no escuro, ela funcionasse como um refletivo par auxiliar na questão da visibilidade para os demais veículos. O mesmo vale para as faixas decorativas, onde se lê o nome do modelo. Por serem prateadas, eu pensava que fossem faixas refletivas, mas no trânsito eu já vi que não são, então eu providenciei faixas refletivas que colei logo abaixo das faixas decorativas do meu bauleto.

Ah, lembrando que no caso da minha scooter, foi necessário comprar o bagageiro, onde eu posso, eventualmente aproveitar para prender uma tela aranha ou elásticos caso eu decida carregar mais alguma coisa que não caiba no bauleto ou embaixo do banco.

13 de maio de 2019

Crônicas de uma motociclista zero quilometro - capítulo 9: antena corta pipa

Tinha uma época em que se falava muito mais sobre a necessidade de se instalar uma dessas antenas para proteger de eventuais linhas de pipa com cerol, mas já faz tempo que não se ouve mais a respeito, até que mais alguém perca o pescoço por aí.

Um grande problema nas ruas de São Paulo são esses moleques que ficam brigando por pipas e para conseguir roubar a pipa alheia, criam a perigosa mistura de cola com vidro triturado, conhecido como cerol, para tornar a linha da pipa uma verdadeira navalha. O problema é que quando a linha atravessa a carne humana, corta tal qual uma navalha e já levou a óbito muitos motociclistas na cidade.

Não que eu circule por áreas de garotos brincando com pipa, até porque nem sei se as crianças ainda sabem brincar disso, mas pelo preço, achei que valia a pena deixar comprado, já que vejo motos com o acessório acoplado.

Compra feita pelo Mercado Livre, o kit vem com a antena e essa chave para instalação. No caso da Neo, tudo precisa ser fixado no espelho, então precisei confirmar se esse modelo dava para prender no espelho, já que existe um outro que você fixa a antena na base do retrovisor.

A instalação é simples e intuitiva, e a antena não afeta a estética da moto.

É o tipo de coisa que custa muito pouco para você não ter.

6 de maio de 2019

Crônicas de uma motociclista zero quilometro - capítulo 8: trava de roda

Entre os itens de segurança que eu entendo como obrigatórios para sua moto em grandes centros são o seguro e um cadeado.

Essas dicas não são só minhas, mas de todo mundo com quem eu conversei.

O seguro, muita gente acaba não fazendo, mas, sinceramente, eu vejo isso como uma economia besta.

Ninguém faz seguro porque quer usar. A ideia é nunca precisar, mas vai que... e as seguradoras costumam oferecer alguns outros benefícios, exatamente para não ficar a sensação de que você paga por algo que não usa.

O seguro que eu fechei tem umas palestras  e cursos gratuitos para segurados, assistência residencial para 2 ocorrências de "brinde" (aqueles serviços de chaveiro, eletricista, encanador) e descontos em peças de teatro que acontecem no teatro que leva o nome da seguradora e até numa rede de cinemas aqui em São Paulo (como não sou patrocinada não vou contar o nome, mas acho que já deu para saber qual é a minha rs).

Agora o cadeado/trava foi dica de todos mesmo, principalmente de quem não tem o seguro.

A trava não vai garantir 100% que nada acontecerá com sua moto, MAS pensa na situação: tem 2 motos, 1 tem trava e a outra não, qual você acha que tem mais chances de ser levada? A que oferece menor resistência para o delinquente, claro! Então, a trava/cadeado pode ser a diferença entre você encontrar sua moto na saída ou não.

Essas travas de roda são bem em conta, práticas, fáceis de guardar e bonitinhas. A minha é vermelha, mas tem assim, colorido, como na foto.

Para os meninos mais apressados e esquecidos, ainda existe o "lembrete de trava", um elástico que você prende na trava e no guidão para não esquecer de tirar a trava antes de sair com a moto. Segundo me contaram, se você sair andando com a trava na roda, vai sair voando da moto, porque ela trava de verdade, sem contar que você pode estragar sua roda (além da cabeça).

29 de abril de 2019

Crônicas de uma motociclista zero quilometro - capítulo 7: capa térmica para banco de moto

Resultado de imagem para capa termica para banco de motoNo dia que eu fui ver a Neo pela primeira vez na concessionária, eu tive que esperar por um tempo, porque só havia um vendedor na loja e 2 pessoas na minha frente. Como eu estava interessada em informações e naquele horário, nem que eu quisesse não encontraria outra loja da Yamaha aberta por perto, esperei.
Enquanto aguardava atendimento e procurava um lugar com sombra para deixar minha bike para não ficar com o selim super quente, um rapaz que eu imagino, seja o segurança da loja, ficou conversando comigo.

Quando eu falei do calor e o problema da moto ficar embaixo do sol, ele me falou sobre a existência de uma capa térmica, que ele não curte usar, mas que motoboy costuma usar, porque deixar a moto no sol e precisa sentar logo em seguida.

Com aquela informação, fui procurar a tal capa que eu já havia visto em umas motos que ficam estacionadas na rua de onde eu trabalho, e achava que era o acabamento do banco daquelas motos.

A capa é essa tela com elástico que aparece na foto, normalmente vendida na cor preta, tem 3 faixas de velcro para você prender por baixo do banco para segurar a capa no banco.

Como a gente nunca sabe onde vai ter que parar a moto, achei que seria uma boa ideia comprar a capa e depois de procurar muito, encontrei uma que coubesse no banco da Neo, porque banco de scooter é bem maior do que de moto comum.

O tamanho é XXL para a Neo.

Coloquei e a primeira coisa que aconteceu foi que, ao fechar o banco, as tiras do velcro do meio da capa estouraram. Foi quando eu entendi a crítica que muitos compradores fizeram, ainda que todos recomendassem a compra, por afirmar, a mesma coisa que eu vou afirmar agora: ela não faz falta.

O encaixe não é perfeito, porque ela é feita para se adequar a qualquer banco que tenha as medidas aproximadas, mas não fica feio e fica preso, acredito que mesmo sem o uso das faixas com velcro.

Agora vem a parte negativa: eu achei que faz escorregar. Na moto normal, você monta, então não vai escorregar, mas na scooter, em que você fica sentada/o no banco, parece que a capa te faz deslizar. Na única oportunidade que eu tive de usar a capa até agora, eu fui com ela, deixei com a capa enquanto a moto ficou na rua, mas antes de voltar, eu tirei a capa e sentei no banco que tem acabamento antiderrapante.

Não acho que seja exatamente jogar dinheiro fora, porque, de fato, ajuda a não esquentar o banco e se a minha scooter tivesse ficado embaixo do sol quase o dia todo, eu possivelmente teria voltado com a capa, ainda que escorregando um pouco, mas guiando mais devagar.

Só não ache que ela vai te servir na chuva, A capa é uma tela de fibra sintética, que não esquenta por não ser um tecido inteiriço. Ok, a água não fica retida nela, mas quando você sentar, ela não é rígida, então seu corpo vai tocar a água que estiver sobre o banco, logo abaixo da capa.

22 de abril de 2019

Crônicas de uma motociclista zero quilometro - capítulo 6: kit para chuva

Morando em São Paulo, cidade que já teve o apelido de Terra da Garoa, não poderia deixar de pensar na proteção para os dias de chuva, ainda que no momento eu mal tenha coragem para andar no seco, durante o dia, imagina na chuva!

Mas uma coisa é meu medo momentâneo de andar na chuva e as chances de eu realmente não ser surpreendida por uma chuva nessa cidade em que o tempo muda mais que humor de mulher de TPM (não é lenda urbana, em São Paulo a gente sai de casa de blusa, no meio do dia está de regata, no final do dia pega um dilúvio e vai dormir com as estrelas... quando dá para ver).

Tão logo comecei a providenciar meus acessórios, fui ver um kit chuva com jaqueta, calça e a tal da polaina (para cobrir os pés), e encontrei um que ainda vinha com luvas impermeáveis e a balaclava, também conhecida como touca ninja, no Mercado Livre.

O kit que eu escolhi tem capuz na jaqueta. Quando chegou eu pensei "por que eu comprei com capuz?", mas já descobri que dá para colocar o capuz e o capacete por cima. Se bem que é melhor quando você usa o capacete aberto. No fechado é bem chato colocar o capacete por cima do capuz, mas não é impossível.

Eu estava em busca de um kit rosa, mas eles parecem mais fracos do que os pretos, então fui de preto mesmo. O bacana são os refletivos que têm nas costas da jaqueta e no zíper de ajuste da panturrilha, que ajudam você a ficar menos invisível no trânsito. Eu ainda pretendo usar uma faixa refletiva que eu costumo colocar na minha mochila, quando pedalo à noite.

Um probleminha que eu encontrei foi a polaina. Não existe para o meu tamanho!!!

A jaqueta e a calça são tamanho P masculina, o que fica bom (isso não fica elegante de jeito nenhum) para vestir por cima da roupa, as luvas também são P, porque é o menor tamanho disponível, mas eu nem sei se dá para usar as luvas e girar a manopla, já que meus dedos não encaixam muito bem (já me disseram que não encaixam bem na mão de ninguém) e as polainas são PP (na etiqueta está marcado 36), eu calço 34 e a impressão é que estou com polainas 38!

Como dizem, melhor polaina esquisita do que saco de supermercado, já que a polaina tem solado de borracha, que vai ser menos escorregadio do que saco plástico. Só não me preocupa mais a polaina grandona, porque eu tenho uma scooter, ou seja, meus pés só servem de apoio quando a moto está parada, fora isso, eles ficam apoiados no assoalho da moto.

Como eu ainda não peguei chuva (e por opção não vou pegar tão cedo), não posso comentar sobre a eficiência dessa capa, mas considerando que eu tenho uma bem mais fina para usar quando ando de bike e ela funciona, acredito que molhada eu não fico.

E agora que eu testei o kit comprado, posso dar minha opinião a respeito... muito a contra gosto tive que sair na chuva, mas porque eu estava na rua, começou a chover e eu precisava ir embora... ou ia na chuva ou ia na chuva! rs

A capa veste direitinho e de fato não molha nadinha, ainda que a sensação seja de que você esteja sendo molhado. Ter capuz foi ótimo para mim, já que nesse calor eu tenho usado um capacete aberto e o capuz ajuda a não permitir que entre água pelo pescoço ou queixo.

A polaina é uma desgraça, porque é muito grande. Não saiu do pé, porque é longa e o final do cano tem elástico, mas eu cheguei com a parte do tornozelo no calcanhar. Vou ter que ver se consigo fazer algum ajuste melhor para que eu sinta mais firmeza no uso dessa polaina. A parte boa é que cumpre sua função: pés secos!

Não usei a luva impermeável, porque eu achei melhor usar minha luva habitual. A balaclava vai seguir aguardando o inverno chegar.

Atualização em 20/10/2022: essa capa da imagem é um modelo de PVC. A calça rachou na costura, na parte da frente, o que impediu que eu a seguisse usando. Comprei outra, mas vou falar sobre ela em outro post. Hoje, não recomendaria a compra dessa marca específica que está na foto, porque a durabilidade não compensa.

15 de abril de 2019

Crônicas de uma motociclista zero quilometro - capítulo 5: as roupas

A jaqueta é outro desses itens que você lê e ouve bastante a respeito, quando o papo é segurança ao andar de moto. Não é que ela vá te salvar de ser atropelado por um caminhão, mas se você cair, vai minimizar os ferimentos, podendo ser a diferença entre conseguir levantar e sair andando e ficar todo esfolado (eu coloco esses verbos no masculino, porque no geral quem se machuca é homem fazendo estripulias no trânsito).

Procurei um monte e descobri que tem versão normal, com forro removível, com entrada de ventilação e a tal jaqueta de verão.

Como as buscas no Mercado Livre estavam me deixando com mais dúvidas do que esclarecimentos, decidi procurar uma loja física, no centro de São Paulo. Existe uma região, próximo ao Largo do Arouche, onde estão concentradas lojas de tudo relacionado a moto, incluindo concessionárias de todas as marcas.

Depois de olhar uma loja aqui, outra ali, encontrei uma loja que tinha uma maior variedade de itens femininos e tinha 3 marcas diferentes de jaquetas: a X11, a Texx e outra que eu não lembro o nome. Eu fui atrás da jaqueta da X11 verão com forro impermeável removível. Testei 2 tamanhos diferentes, gostei da ideia do forro removível, mas o comprimento da manga era absurdamente comprido para mim e as proteções do cotovelo ficavam no antebraço por conta disso.

Quando eu vi essa da Texx, primeiro me chamou a atenção a cor rosa (sim, eu gosto de rosa) e ao vestir, a primeira coisa que encantou foi o encaixe das proteções do cotovelo, que ficam no cotovelo e não na mão! rs

O braço um pouco mais curto, ainda não é certinho, mas ficou infinitamente melhor e é mais em conta, porque essa não tem forro.

Uma coisa que a vendedora disse é que às vezes não adianta só ver a marca, tem que ver o caimento. Ela deu o exemplo dela e comentou "o tênis Nike é ótimo, mas não encaixa no meu pé, então não me serve". Achei interessante, porque como vendedora ela deveria querer me empurrar a jaqueta mais cara. Ao invés disso, sugeriu que eu escolhesse aquela que eu me sentisse melhor e que se encaixasse melhor em mim.

Lembro que a terceira marca também ficou boa no corpo, mas as proteções me pareciam mais fracas, além da jaqueta ser inteira preta. O preço era o mesmo da Texx, tinha uns bolsinhos a mais, mas eu já tinha sido fisgada por essa.

Além disso, dentro da jaqueta, quase na barra, tem um zíper que serve para prender na calça de proteção. Eu nem tinha pensado muito a respeito, mas acabei comprando a calça também, que eu provei por cima da minha calça jeans e coube confortavelmente.

Fora as 2 peças, eu comprei uma jaqueta California Racing, para os dias de frio. Ela não tem as proteções em E.V.A., mas vai me proteger daqueles 2 dias de frio intenso que faz aqui na cidade.

Aliás, a decisão de comprar a de verão sem forro foi baseado no fato de que, por aqui, faz mais calor do que frio e, se chover, não é forro impermeável que vai segurar a chuva, necessitando de uma capa de chuva propriamente dita.

Se você for cético/a como eu, saiba que a jaqueta de verão funciona. Claro que quando você para no semáforo (aqui em São Paulo a gente chama de farol) embaixo de sol forte, vai suar, mas em movimento a sensação é bem agradável, porque entra vento de verdade.

Esse modelo, especificamente tem as seguintes características pelas informações coletadas no site da fabricante*:
Modelo: Jaqueta Saga Summer Lady
Material: poliéster 600D com tecido Mesh Summmer® (é a tela por onde entra a ventilação), refletivos (são as partes em cinza na foto) e protetores em E.V.A. (ombros, cotovelos e costas). Ela também tem 2 botões para ajuste da circunferência dos braços, nas mangas. No punho, zíper para você abrir e conseguir colocar suas luvas e ajuste final em velcro, para ficar no comprimento correto.

Se você não for muito comprida nas medidas, vai gostar dessa jaqueta, que é menor e confortável, além de fresquinha e linda.

*esquece o preço sugerido que aparece no site. Seja na internet ou na loja eu comprei, ela sai pela metade.

8 de abril de 2019

Crônicas de uma motociclista zero quilometro - capítulo 4: luvas

Seguindo dicas de pessoas que andam de moto a mais tempo, eu tinha em mente que os itens mínimos de segurança que devem ser providenciados por quem quer andar de moto são: capacete, luvas, jaqueta e calça com proteção, e calçado fechado, preferencialmente os feitos para andar de moto.

Então, eu estive pesquisando luvas. Ia comprar pela internet, mas como eu nunca tinha testado uma luva de moto antes e os quadros de medidas me pareciam muito sem pé nem cabeça, fui a uma loja física, onde pude provar alguns modelos e tamanhos.

A primeira luva que eu testei era uma simples, sem essas partes rígidas na parte de cima da mão.

Eu já tinha visto essa da foto nas pesquisas, mas eu pensava que essa parte rígida da luva pudesse incomodar e descobri que nem se nota que estão lá.

Eu nem ia comprar essa, porque a outra custava R$25,00 a menos, mas pouco depois que eu entrei na loja, um rapaz entrou buscando capa de chuva e luvas, dizendo que a dele, depois de 3 anos, estava ruim e pegou exatamente essa dos "casquinhos", como eu chamo, na versão masculina.

Logo pude concluir que não era papo de vendedor, que esses casquinhos protegem mais, já que o outro comprador pegou essa e ele já anda há mais de 3 anos de moto. Quem sou eu para contrariar o comentário do vendedor e a opinião de um usuário de tantos anos?

A vantagem desses casquinhos é que se você esbarrar num retrovisor, não vai machucar sua mão.

Essa luva da X11 é muito confortável, além de ser rosa. A versão feminina tem os dedos um pouco mais finos e se ajusta bem, dando firmeza para segurar a manopla e não atrapalhando o movimento da mão.

Aliás, se tem uma dica que eu posso dar é para comprar a luva de acordo com seu gênero. Se você é mulher, compre a feminina, porque o desenho da luva é diferente de verdade e o encaixe fica melhor.

1 de abril de 2019

Crônicas de uma motociclista zero quilometro - capítulo 3: capacete novo

Quando eu fui começar minhas aulas de moto, por sugestão do instrutor, eu comprei meu primeiro capacete.

A escolha envolveu muita pesquisa na época, porque eu tinha muitas dúvidas: que tamanho? que modelo? que cor?

Nas pesquisas sempre a mesma informação, o tamanho ideal deve ficar justo, porque solto ele pode escapar na hora que você mais precisar, mas não pode apertar a cabeça (o certinho vai apertar suas bochechas, mas sua testa estará bem acomodada), sendo o modelo fechado, o mais seguro e cores mais claras mais visíveis.

Nas aulas no Parque do Ibirapuera, mesmo em dias mais quentes, como a gente fica de viseira aberta (é proibido andar de viseira aberta e pode dar multa, ainda que a gente sempre veja todo mundo fazendo isso), o calor é suportável, mas fiquei pensando como faria na rua, no calor do verão asfáltico de São Paulo. Ainda que o modelo aberto seja menos seguro, cheguei a conclusão de que é mais seguro andar com viseira abaixada e queixo aberto, do que com viseira aberta, o que exclui a compra do escamoteável ou robocop (aquele que parece fechado, mas a parte do queixo levanta).

Pesquisa de lá, procura de cá e eu encontrei uns modelos que, além de abertos, ainda vem com uma segunda viseira solar, que substitui a contento o uso do óculos de sol. Para mim, que nasci com "síndrome de morcego" (eu inventei esse nome, não é doença, é uma particularidade) e sou sensível à luz solar, saiu na rua, tem que usar óculos de sol, mas quem já usou, sabe que somente modelos específicos são utilizáveis em conjunto com o capacete, sem machucar.

Em busca de custo x benefício e conforto, acabei optando por esse modelo da Pro Tork, modelo New Atomic Vintage, na cor pink (tem outras cores), que tem o número 788 (não sei o que significa) atrás e uma faixa refletiva prata na testa e na nuca. Entre outros modelos vistos, esse é um que tem a viseira principal mais longa, o que cobre todo o rosto.

O visor solar pode ficar guardado quando não necessário e baixado quando você sai ao sol, tudo usando uma travinha lateral, que aparece na foto acima. O legal é que ele não encosta no seu rosto, então não incomoda nada e você só vai lembrar que está com a viseira solar se entrar em um lugar escuro.

Esse modelo especificamente ainda vem com 2 brindes: o lenço de caveira (o lenço é quadrado e grande, na cor preta, de material sintético e maleável) e um saco para guardar e não riscar sua viseira (bom para quem, como eu, carrega o capacete na mochila).

Muito confortável, fica bem preso pela tira de queixo, com regulagem e um forro em couro ecológico na parte de contato.

Recomendo a compra para usar nos dias quentes. O capacete aberto dá uma sensação bem gostosa quando você está em movimento, permitindo que o ar circule dentro do capacete, mas sem permitir que algo entre nos seus olhos ou boca enquanto você está em movimento, que pode ser muito perigoso, razão pela qual é proibido andar com a viseira aberta.


18 de março de 2019

Crônicas de uma motociclista zero quilometro - capítulo 2: comprando uma scooter

Quando eu comecei a fazer as aulas de moto, não estava pensando em realmente andar de moto por aí. Eu só queria aprender a andar de moto e ter a habilitação, just in case.

Eu falava isso para o Cristiano (o instrutor) e ele dizia que eu levava jeito com a moto e acreditava que ainda iria me ver um dia no trânsito de São Paulo. Eu ria, um pouco de nervoso de pensar na hipótese de andar de moto numa 23 de maio. Loucura!

Daí, ele falava que tipo de moto eu poderia comprar e o tamanho ideal. Ele sempre falou da Lead da Honda. Já estava pesquisando na época. Moto fofa, mas fora de linha. Ainda que se trate de uma Honda, eu nunca fui muito fã desse papo de fora de linha, porque as chances de faltar peças ou de furtos e roubos aumenta.

A vantagem de uma scooter em relação a moto para quem sabe andar de bicicleta, mas não tem segurança com moto, é que a scooter ter uma similaridade com a bike: é só acelerar e brecar. Nada de embreagem, nada de marchas.

Cheguei a ver preço, onde eu poderia encontrar uma, enfim, estava estudando.

Encontrei uma Lead usada, pouco rodada, mas que estava numa loja de usados lá na zona norte (eu moro no fundo da zona sul), mas quando entrei em contato, já tinha sido vendida.

Então, numa das buscas pelo Google, encontrei essa tal de Neo da Yamaha. Ainda que eu nunca tenha tido nada da Yamaha, eu usei ela nas aulas e na prova de moto, além de ter visto minha vida toda essa marca nas ruas. Conversando com pessoas que andam de moto, elas faziam elogios à marca, então fui pesquisar melhor, sem deixar outras opções em vista.

No dia que eu fui buscar minha CNH com o Cristiano lá no Ibirapuera, me despedir e agradecer pela paciência dele, acabei indo pro Shopping Ibirapuera e passei na Suzuki. Lá fui informada que a Burgmann estava deixando o país e que agora, uma marca chinesa com sua Lindy seria a substituta. A loja ofereceu um test ride que eu recusei, já que eu tinha acabado de pegar a CNH e não me sentia segura para pegar uma moto alheia para, de repente, derrubar ou enfiar numa parede!

A Lindy é lindinha (que trocadilho infame), mas o tempo mostrou que não dá para confiar em marca chinesa. Se você der uma procurada básica na internet vai encontrar um monte de reclamação de proprietários que foram enganados pela aparência e preço, para descobrir que não tem peça de nada e que o pós venda só te deixa na mão. Um deles dizia que está há 3 meses com a moto parada por falta de peça.

Fui dar uma olhada, só pela internet, porque não encontrei lojas para visitar, das opções da Dafra e descobri que elas são caras. O fato de não encontrar lojas, além do preço da moto, já me deixaram desanimadas. Como posso ter uma moto que eu não vou ter onde levar para consertar ou fazer minhas revisões?

Sobraram, das marcas que tem scooters de preço acessível, a Honda e a Yamaha.

Na verdade, a Honda só tinha a Biz, que não é scooter e nem é automática, ela só não tem embreagem, mas tem marchas. Agora, no começo de 2019, lançou a "substituta" da Lead (entre aspas, porque ela não tem as mesmas especificações, tendo menos itens que faziam sua antecessora tão perfeita), a Elite.

Fui na loja que fica na frente do Shopping Ibirapuera (e eu nem moro perto desse shopping, mas ele fica no meio do caminho) dar uma olhada. Fui super bem atendida, achei ela interessante, ainda que a cor não seja muito boa (a azul parece pintada com guache rs) e o preço é bem parecido com a Neo.

A Honda tem uma rede de atendimento vasta pela cidade e eu sempre tive carro da Honda (Fit para ser mais especifica... foram 3 na minha vida e não me arrependo. Se fosse comprar um carro hoje, compraria outro), o que dá a marca, credibilidade comigo. Me ofereceram um test ride também, mas, de novo, não quis arriscar.

Então, fui numa concessionária da Yamaha. Próximo da minha casa, tem uma loja a uns 500 metros e outra a uns 2km, onde eu fui efetivamente fazer negócio, porque é a única que eu encontrei aberta num sábado a tarde.

Já tinha estudado ambas à exaustão na internet através do site da montadora, de blogs e vídeos no Youtube de testes, mas precisava ver as scooters pessoalmente, sentar, sentir eu mesma o banco, a distância do painel, a posição que ficava as pernas, se dava mesmo pé, se eu conseguia alcançar o guidão (tenho os braços curtos, praticamente um Horácio, o dinossauro do Maurício de Souza), olhar o acabamento.

Na Yamaha também me ofereceram o test ride e é claro que eu não fiz.

No final, eu acabei escolhendo a scooter pela garantia e pelo seguro, mas se você veio aqui para buscar parâmetro para sua escolha, segue abaixo as diferenças que eu analisei.

PREÇO - O preço da Elite com frete é de R$8.990,00 e a Neo com frete é de R$8.945,00, o que faz o papo de que a Elite é mais barata que a Neo, papo de quem esquece do preço final. Claro que a diferença de preço é mínimo, então não servia para o desempate no meu quadro.

OFICINAS E CONCESSIONÁRIAS - Rede de concessionárias e oficinas, que é colocado como ponto negativo da Yamaha, no meu caso não é, porque eu tenho oficinas de concessionárias bem próximas da minha casa das duas marcas, o que me garante segurança no quesito peças e atendimento. Onde elas existem, tanto de uma marca quanto de outra, não vi reclamações.

GARANTIA - A Honda oferece, para a Elite, garantia de 3 anos e troca de óleo grátis a partir da 3ª revisão, desde que todas as anteriores tenha sido feitas na concessionária. A Yamaha, oferece para a Neo, garantia de 4 anos, assistência 24 horas gratuita por 1 ano, preço fixo na mão de obra da revisão (tabela está no site).

SEGURO - Seguro é aquele tipo de coisa que ninguém quer precisar, mas todo mundo que mora numa cidade como São Paulo tem, por mera prudência. A Honda não tem corretora de seguro própria e quando eu fui cotar, o seguro sairia pela Mapfre. A Yamaha tem corretora de seguro própria e, bem provavelmente por isso, apresenta mais opções, tendo como a mais em conta, a Porto Seguro, que eu confio, porque já tive no meu carro e sempre funcionou. Claro que para quem quiser, ainda tem opções pela Mapfre e pela Sulamérica (custa mais que o dobro da Porto no meu perfil).

A MOTO - A scooter da Honda tem a mesma frente da Neo. Eu até brinquei com o vendedor da Honda que eles nem disfarçaram a cópia do modelo da concorrente e ele só riu. A Elite talvez seja melhor para quem tem mais perna do que eu (quase qualquer pessoa nesse mundo!), porque a distância do banco para o painel é um pouco maior. O espaço embaixo do banco também é um pouco maior, pelo menos na descrição. Como eu não levei meu capacete no dia da visita, eu não posso confirmar a informação. A pintura é um ponto negativo. Dá para ver que é bem simples e a azul é feia. Os pneus são estreitos e as rodas menores, o que deve fazer você chacoalhar à beça na buraqueira da cidade. O que eu achei de mais interessante é a trava de parada que existe na Elite e ajuda a ficar parado, sem ter que ficar segurando o manete de freio.

A scooter da Yamaha tem a frente apelidada de Transformers, porque lembra a cara do carro-robô. O espaço das pernas dá com folga para mim, mas vou lembrá-los de novo que eu só tenho 1,58m de altura. Todo mundo fala mal da visibilidade do espelho da Neo, mas eu acho que tem a ver muito com a altura do condutor. Eu consigo ver normal pelo espelho. O espaço embaixo do banco, a despeito da descrição no site dizer que cabe um capacete aberto, o meu não coube (vou falar sobre meu novo capacete num próximo post). Eu uso embaixo do banco para deixar sacola retornável para compras, capa térmica para banco, capa de chuva com galocha e/ou minha jaqueta de verão com proteções para andar de moto. A pintura da vermelha é metálica, então é bem mais bonita do que a sólida da Elite e ainda tinha a minha dúvida, a grafite que é fosca e também é muito linda. Os pneus também não são largos, aliás, devem ter, de largura, a mesma medida da Elite, mas a roda é de aro maior, o que dizem melhorar o andar no nosso asfalto horroroso de São Paulo. Ainda assim, preciso dizer, é sofrido andar em São Paulo. Eu ando devagar, porque tenho medo de sair voando da moto depois de quicar no banco (na verdade eu ando devagar, porque tenho medinho rs). O apoio com função stop é ótimo. Você encosta a moto, desce o apoio e a moto já desliga.

Como eu li num blog, as 2 motos são equivalentes e vai contar mais o gosto, a preferência de marca e, no meu caso, o veredito final que foi o seguro.

Até o momento, eu não tenho do que reclamar. Às vezes me pergunto se teria sido melhor pegar uma moto convencional, porque andar sentada num banquinho no lugar de montada me dá uma certa insegurança. Parece até que isso faz balançar mais, mas pode ser só impressão de iniciante que balança com qualquer vento e que sequer pegou uma chuvinha com ela.

Espero que minhas pesquisas te ajudem na sua escolha e se quiser perguntar alguma coisa ou tiver alguma dica para a motociclista zero quilometro, escreve nos comentários que eu adoro trocar informações.

Have a nice ride!

11 de março de 2019

Crônicas de uma motociclista zero quilometro - capítulo 1: a CNH

Nas próximas semanas, vou comentar sobre minhas aventuras como a mais nova motociclista da cidade e as aquisições realizadas para andar por aí.

Tudo começou em janeiro de 2017, quando eu fui fazer uma passeio ciclístico no Parque do Ibirapuera (de bicicleta mesmo).

Era uma manhã de sábado comum. Eu fui no mais famoso parque da cidade e depois de fazer o passeio de bike (se quiser saber mais sobre o Bike Tour SP, é só clicar para ver o post do dia 16/01/2017), já quase na saída, fui dar uma espiada na pista de moto "só dar uma olhadinha", onde você pode fazer suas aulas de moto escola e que também é a pista oficial para fazer a prova de habilitação.

Chegando lá, perguntei com quem poderia conversar e me indicaram o Cristiano, um cara super atencioso e todo sorridente. Perguntei como funcionava o esquema de aula, quantas aulas eram necessárias, quanto custava tudo e como era a prova. Quando me dei conta, já estava marcando aula.

Para quem não sabe como funciona, pode consultar o site do Detran de sua cidade. Aqui em São Paulo, você pode consultar o site do Detran SP para saber como proceder.

Basicamente, você precisa fazer o exame médico e o psicotécnico para emitir o RENACH que você precisa apresentar na moto escola, que vai emitir uma Licença para que você possa fazer as aulas. Observação importante, aproveite o momento de uma renovação de documento para fazer esse tal RENACH. Eu tinha feito minha renovação de CNH há 1 ano (eu já era habilitada na categoria B, carros) e tive que fazer o exame médico de novo, pagar de novo, fazer o psicotécnico, para então ter meu RENACH.

Licença concedida, comecei as aulas.

Primeira aula: "ah, se você anda de bike, é fácil"
Que mentira da porra!!! (eu falo uns palavrões. Se você se ofende fácil, sinto muito.)
Na bicicleta, você tem o "acelerador" nos pés e eventualmente pode usar os pés de freio. O manete direito freia atrás e o manete esquerdo aciona o freio da frente.
Na moto o freio de trás fica no pé direito, a embreagem está na mão esquerda e o freio da frente é na mão direita!!! Você precisa girar a manopla para você, para acelerar e tem que mudar de neutro para a primeira marcha no toque do pé esquerdo, se quiser sair do lugar. Detalhe, tudo isso numa moto que não dá pé para uma pessoa com 1,58m de altura, pernas curtas e pé tamanho 34!!!

Sentiu a dificuldade da primeira aula?

O engraçado dos primeiros instantes em cima de uma moto, quando você nunca andou numa, é ver como se dá a aula.

Quando você vai para a auto escola, seu instrutor está sentado no banco do passageiro e sua segurança é que ele tem os pedais de segurança, tanto da embreagem quanto do freio. Sem contar que o carro tem 4 rodas, ele não vai capotar se você deixar morrer ou se mexer o corpo para o lado errado.

Na moto, o instrutor não pode sentar na sua garupa. Pensa eu, que nem alcanço o pé direito no chão (só a ponta de 1 pé com o quadril deslocado para fora da moto), se ele senta na garupa, ou ele alcança o chão, ou iria todo mundo pro chão. Por alguma razão, eu nem conseguia equilibrar a moto. Mas instrutor tem uma paciência e é cheio das palavras de motivação. Ele vai segurando a moto pela alça de trás até achar que pode soltar, igual quando nossos pais nos ensinaram a pedalar. Primeiro alguém vai segurando, de repente, solta.

Enfim, sei que ao final da primeira aula, eu conseguia dar voltinhas sozinha, mas era uma falta de fé própria, que só vendo. Eu me arrependia de não ter feito isso aos 18 anos, quando era uma adolescente destemida!

Aos poucos descobri que mesmo não alcançando o pé direito, tinha jeitinho para soltar o pézinho da moto (o apoio era muito longe, mas descobrimos que na Yamaha, o pézinho tem um pino lateral que me permitia empurrar com a pontinha do meu pé), que eu conseguia pegar a moto, empurrar até um ponto ideal para fazer a entrada no percurso, ligar a moto, trocar a marcha e sair rodando.

Cai duas vezes durante as aulas. A primeira é porque tem uns instrutores sem noção que ficam com o pé na pista. Tentando não atropelar ninguém, eu fechei muito o guidão e capote! Ralei o cotovelo, mas nada demais.

Numa outra foi bobeada minha. Dia quente, pessoa cansada depois de 2 horas em cima da moto, perdi o equilíbrio e fui pro chão. A essas alturas eu já sabia como cair para não ralar nadinha. O problema de cair é não conseguir levantar a moto e o drama dos instrutores que ficavam aflitos da gente se machucar. Vinham uns 3 correndo.

Mas não se engane. Você não vai aprender a andar de moto. A gente nem aprende a mudar de marcha, já que você coloca em primeira, ainda parado e fica assim o tempo todo, só controlando embreagem e freio.

Depois de ter feito as aulas obrigatórias e mais 2 para garantir, fiz a prova numa manhã de sexta.

Coisas muito importantes: não esqueça o capacete, de baixar a viseira (viseira aberta na saída e está reprovado) e nunca esqueça de conferir se levantou o pézinho da moto (não preciso nem estar com o pé baixado para entrar na fila, quando você já estiver sobre a moto).

Aliás, se quiser saber como se descobre o tamanho do capacete e outros detalhes, veja o meu post de quando comprei o capacete para fazer as aulas.

No mesmo esquema das aulas, você faz o 8, entra no labirinto (para fazer curvas em quinas), sobe a ilha (um dos poucos pontos onde você vai dar uma acelerada, o resto você faz na inércia), passa por um pedaço que simula ondulações de pista, passa pela sequência de cones, dá uma parada, acelera e passa pela tábua (que antes era só uma linha desenhada no chão e agora é um pedaço de madeira, um pouco mais largo que a linha original) e breca antes da linha indicando pare. Quando autorizado, avança um pouco, para uma área de parada, onde aguarda o fiscal te entregar o resultado do seu teste e você tira a moto em definitivo da pista.

Se você foi aprovado, só precisa entregar o papel para o responsável da sua escola, pagar a taxa da emissão da CNH e aguardar o documento chegar.

Para mim, esse processo, do RENACH até a prova deu exatamente 1 ano!

Calma, não demora tudo isso. Eu estava terminando a pós e acabei faltando quase 1 semestre, por isso demorou. Se você já souber andar de moto, consegue fazer mais de 1 aula por semana e conseguir marcar logo sua prova, isso deve levar uns 3 meses.

E assim, em 16 de janeiro de 2018, peguei minha nova CNH AB.